Gente, que pão e circo que nada, aqui no Brasil o negócio é feijão e novela!
Gente bonita, gente alegre, gente boa, gente sofrida, gente malandra, somos nós brasileiros!
Tudo é festa, tudo acaba em pizza, tudo é motivo de "orguio", até a miséria se transforma em troféu!
Esses dias estão recheados de notícias assim, de sacanagem brasileira e, cá pra nós, não tô falando de pornografia.
Não aguento mais ver notícia de político safado roubando o dinheiro público.
Não aguento mais ver notícia de intelectual que vai debater a sociedade neocapitalista. Veja bem, o discurso é importante, mas nem só de discurso vive o homem...
Não aguento mais ver notícia de político prometendo melhorar tudo. Só faltou dizer que é na vida dele, né?
Não aguento mais ver notícia de assassinato na TV.
Não aguento mais ver notícia de episódios da novela.
Não aguento mais ver notícia de atrizes/atores "monstros sagrados" no Faustão.
Não aguento mais ver notícia do tempo: sempre chove quando dizem que vai fazer sol.
Não aguento mais ver notícia do Neymar no Bom Dia Brasil.
Não aguento mais ver notícia que o Eike Batista enriqueceu (ele que se ...).
Não aguento mais ver notícia que o Eike Batista enriqueceu (ele que se ...).
Não aguento mais ver notícia que a inflação subiu, que os juros subiram e que meu salário encolheu.
Não aguento mais ver notícia de bomba que estourou nos Estados Unidos
Não aguento mais ver notícia de gente politicamente correta demais no Facebook.
Não aguento mais ver notícia de animais para adoção enquanto crianças dormem na rua (gente doida é?!).
Não aguento mais ver notícia da Gisele Binchen (é assim que eu falo, logo, é assim que eu escrevo).
Sociedade mais hipócrita essa nossa.
Se tu ri, é palhaço, não leva nada a sério.
Se tu chora, tá dando uma de coitado, vítima, desinfeliz pára de chorar criança sem pai!
Se tu faz aquela cara de não sei, bem, então és uma besta...
Será que é tão difícil assim entender que cada um é diferente do outro? Nem melhor, nem pior: diferente.
Que difícil viver nesse mundo de aparências, em que todo mundo tenta te compreender pelo brilho do teu dente e tenta aparentar que o seu dente é mais brilhoso.
Já não sei se pinto o cabelo, se lavo os tênis, se troco de meia, ou se passo batom. Vai dar no mesmo! Se ponho um shorts e saio mostrando a bunda pela cidade, é bonito? Sou prostituta ou sou ousada?
Se ponho uma saia comprida e desfilo meu traje arrastão, limpa piso, sou religiosa? Ou to me fazendo de séria? Se uso um terninho feminino sou respeitável?
Quem sabe o que eu faço entre quatro paredes? A céu aberto? Ninguém sabe nada e querem saber, ah se querem. E esse é o grande problema: vão cuidar das suas vidas.
Particularmente adoro pensar que as pessoas são diferentes, pensam diferente e agem diferente. Óh Deus, obrigada pela diversidade! Que mundo mais monótono e chato se todos fossem iguais...
Adoro a diversidade que assisto aqui. Adoro mesmo, mas fica difícil esse esquema de estereotipar tudo, já tá dando um creq na minha cabeça. Apesar de diferentes, parecemos todos vindos do mesmo saco, de batatas... mas com recortes diferentes.
Eu que adoro me comunicar, às vezes me sinto reprimida com essa coisa de estereótipo, porque se falo com um mendigo, o cara me olha com uma cara... Outro dia um mendigo me pediu uma grana, falei que não, óbvio, aí o bonito apelou para o lado sentimental: "um sorriso então?". Ah, vai te catar! Se tivesse me pedido o sorriso antes do dinheiro, até podia ser.
Noutra, falo com um cara que se acha bonitinho, tá, às vezes até é, mas vamos combinar né? Pronto: tô querendo dar?? Mas será possível? Será que mulher bonita sempre tá afoita? Pensamento machista.
Então, se falo com um cara de cavanhaque, tô querendo uma lingerie emprestada é?
Noutra, falo com um cara que se acha bonitinho, tá, às vezes até é, mas vamos combinar né? Pronto: tô querendo dar?? Mas será possível? Será que mulher bonita sempre tá afoita? Pensamento machista.
Então, se falo com um cara de cavanhaque, tô querendo uma lingerie emprestada é?
Ó povo não sejamos tão estúpidos! Estereótipos não estão com nada. Temos que sentir as pessoas (no melhor sentido), e temos que nos comunicar. É saudável falarmos uns com os outros tirando a viseira de burro que nos impede de enxergar além da aparência. Além do mais, ninguém vive só. Só sobrevive.
Ai Miro, era tão mais fácil naquela época, eu era só uma criança inocente e feliz:
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
E acrescento:
Eu, minha mãe e meu tio burro
Se alguém se escondia atrás do muro
Com certeza é porque tava dando furo...
Não nasci pra poesia.


