quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não aguento mais ver notícia

Gente, que pão e circo que nada, aqui no Brasil o negócio é feijão e novela!
Gente bonita, gente alegre, gente boa, gente sofrida, gente malandra, somos nós brasileiros!
Tudo é festa, tudo acaba em pizza, tudo é motivo de "orguio", até a miséria se transforma em troféu!

Esses dias estão recheados de notícias assim, de sacanagem brasileira e, cá pra nós, não tô falando de pornografia.

Não aguento mais ver notícia de político safado roubando o dinheiro público.
Não aguento mais ver notícia de intelectual que vai debater a sociedade neocapitalista. Veja bem, o discurso é importante, mas nem só de discurso vive o homem...
Não aguento mais ver notícia de político prometendo melhorar tudo. Só faltou dizer que é na vida dele, né?
Não aguento mais ver notícia de assassinato na TV.
Não aguento mais ver notícia de episódios da novela.
Não aguento mais ver notícia de atrizes/atores "monstros sagrados" no Faustão.
Não aguento mais ver notícia do tempo: sempre chove quando dizem que vai fazer sol.
Não aguento mais ver notícia do Neymar no Bom Dia Brasil.
Não aguento mais ver notícia que o Eike Batista enriqueceu (ele que se ...).
Não aguento mais ver notícia que a inflação subiu, que os juros subiram e que meu salário encolheu.
Não aguento mais ver notícia de bomba que estourou nos Estados Unidos
Não aguento mais ver notícia de gente politicamente correta demais no Facebook.
Não aguento mais ver notícia de animais para adoção enquanto crianças dormem na rua (gente doida é?!).
Não aguento mais ver notícia da Gisele Binchen (é assim que eu falo, logo, é assim que eu escrevo).

Sociedade mais hipócrita essa nossa.

Se tu ri, é palhaço, não leva nada a sério.
Se tu chora, tá dando uma de coitado, vítima, desinfeliz pára de chorar criança sem pai! 
Se tu faz aquela cara de não sei, bem, então és uma besta...
Será que é tão difícil assim entender que cada um é diferente do outro? Nem melhor, nem pior: diferente.
Que difícil viver nesse mundo de aparências, em que todo mundo tenta te compreender pelo brilho do teu dente e tenta aparentar que o seu dente é mais brilhoso.
Já não sei se pinto o cabelo, se lavo os tênis, se troco de meia, ou se passo batom. Vai dar no mesmo! Se ponho um shorts e saio mostrando a bunda pela cidade, é bonito? Sou prostituta ou sou ousada?
Se ponho uma saia comprida e desfilo meu traje arrastão, limpa piso, sou religiosa? Ou to me fazendo de séria? Se uso um terninho feminino sou respeitável?
Quem sabe o que eu faço entre quatro paredes? A céu aberto? Ninguém sabe nada e querem saber, ah se querem. E esse é o grande problema: vão cuidar das suas vidas.

Particularmente adoro pensar que as pessoas são diferentes, pensam diferente e agem diferente. Óh Deus, obrigada pela diversidade! Que mundo mais monótono e chato se todos fossem iguais...
Adoro a diversidade que assisto aqui. Adoro mesmo, mas fica difícil esse esquema de estereotipar tudo, já tá dando um creq na minha cabeça. Apesar de diferentes, parecemos todos vindos do mesmo saco, de batatas... mas com recortes diferentes. 

Eu que adoro me comunicar, às vezes me sinto reprimida com essa coisa de estereótipo, porque se falo com um mendigo, o cara me olha com uma cara... Outro dia um mendigo me pediu uma grana, falei que não, óbvio, aí o bonito apelou para o lado sentimental: "um sorriso então?". Ah, vai te catar! Se tivesse me pedido o sorriso antes do dinheiro, até podia ser.
Noutra, falo com um cara que se acha bonitinho, tá, às vezes até é, mas vamos combinar né? Pronto: tô querendo dar?? Mas será possível? Será que mulher bonita sempre tá afoita? Pensamento machista.
Então, se falo com um cara de cavanhaque, tô querendo uma lingerie emprestada é?

Ó povo não sejamos tão estúpidos! Estereótipos não estão com nada. Temos que sentir as pessoas (no melhor sentido), e temos que nos comunicar. É saudável falarmos uns com os outros tirando a viseira de burro que nos impede de enxergar além da aparência. Além do mais, ninguém vive só. Só sobrevive.

Ai Miro, era tão mais fácil naquela época, eu era só uma criança inocente e feliz:

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

E acrescento:

Minha vida era um casulo
Eu, minha mãe e meu tio burro
Se alguém se escondia atrás do muro
Com certeza é porque tava dando furo...

Não nasci pra poesia.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Óbvio

Obviedade. Procurei no dicionário: qualidade do que é óbvio. Dã. É mesmo é?? Fui no óbvio: que salta à vista, claro, evidente, manifesto, patente, visível... e por aí vai. 

Se algo é óbvio porque eu faria esforço por entendê-lo então? Por que obviedade está intrinsecamente relacionada com a interpretação de cada pessoa sobre determinado assunto.

Passo meus dias lendo textos variados sobre assuntos variados e nada, absolutamente nada me parece óbvio. Fico pensando se meu pensamento é tão limitado a ponto de não compreender nada de primeira, mas recursivamente penso que construções cognitivas limitadas também são cognições, afinal.

Tó, lembrei! Óbvio me remete à novela. É óbvio que aquela piranha vai engravidar do cara que a mocinha gosta! Taí. Descobri o conceito cabal de obviedade: as estórias novelísticas.

Tem umas coisas que também não entendo como falta de assunto. Tem pessoas que simplesmente não sabem continuar uma conversa. Tu começa a conversar com a pessoa, introduz a conversação, faz uma pergunta aqui, uma afirmação ali, mas a pessoa não contribui, dá aquelas respostas incrivelmente monossilábicas, estilo douzo yoroshiku. E como eu não consigo parar de falar, pois tenho muito assunto, não entendo esse jeito de ser. Talvez meu assunto não seja tão atrativo a ponto de persuadir a pessoa a conversar, mas há pessoas que tem o dom de desmotivar os outros...

Na minha cabeça é óbvio que um assunto pode ser discorrido ou enveredar em outro, o que não é óbvia é a falta de continuidade.

sábado, 15 de dezembro de 2012

De pai para filho

Faz tempo que eu não me emocionava tanto. 
Assisti ao filme Gonzaga: de pai para filho e chorei, chorei, chorei. Parei de chorar, saí do cinema, fui para o carro e chorei, chorei, chorei. Cheguei em casa, entrei pela porta (que pela janela é difícil) sentei no sofá e chorei, chorei e chorei um pouquinho mais.

Que história bem contada, que atores bons, que direção, que ângulos de imagem, que diálogos, que emoção esse filme transmite. A história é real, e devo dizer que sempre que uma história é real, ou é anunciada como tal, crio uma expectativa superior em relação à obra. E nesse caso, minha expectativa foi totalmente preenchida e acrescentada, pois eu conhecia muito pouco da história do Gonzagão e Gonzaguinha, e sempre me perguntei o porquê de sua aura de tristeza profunda, mesmo quando ele cantava um sambinha dos mais felizes. Não tinha idéia do que ele havia passado em sua vida particular.

Realmente não acompanhei a vida do artista Gonzagão, muito menos do pai que ele foi (só um filho para atestar), mas adorei ver o crescimento e desenrolar de seu talento, como foi contado neste filme. Suas dificuldades financeiras que o atrasavam para o alcance do sucesso mas que também lhe motivaram a buscá-lo, assim como entraves morais da sociedade da época, como quando os donos da rádio em que ele começou a cantar não queriam ouvir sua cantoria mesmo que o público se empolgasse diante de sua música, já que se tratava de uma música folclórica, pouco admirada pelos críticos do momento. Inclusive seus bloqueios internos que o impediam de admirar a música de seu povo, música esta que lhe fez aprender a tocar o acordeão desde a infância, que lhe despertou para esse dom, mas que também lhe fez renegá-la, diante da miserabilidade que lhe trazia à tona a infância humilde, a falta de tudo, desde o que alimenta ao corpo até o que alimenta ao ego, mas nem por isso menos talentosa, vibrante ou alegre.

Os estados de  miséria e riqueza, apesar de antagônicos, produzem o mesmo efeito de entorpecer as pessoas, embotar sua visão de mundo, suas percepções das pessoas que as cercam e das necessidades reais de cada um. Um, pela ausência que provoca necessidade e te faz querer as coisas de forma imediata, sem notar outras maiores, mais estáveis e duradouras, mas que te faz compartilhar o pouco que tens com teu semelhante, como forma de aplacar a tua própria miséria. Outro, pela fartura que te impede de notar as necessidades alheias, as pequenas misérias das pessoas que te rondam e te espreitam, tornando-te insensível aos problemas dos outros e muitas vezes egoísta, ao menor sinal de perderes essa riqueza, de perderes tua segurança.

Assim como tudo na vida, podemos escolher olhar outras facetas da riqueza ou da miséria, como a alegria despertada por pequenas conquistas, e que provavelmente são muito mais passíveis de surgirem num ambiente de pobreza; os detalhes de escassez (que só a pobreza te faz ver) e que te tornam mais metódico ao esconder falhas, tapar furos, ou desenvolver a malandragem de ocultar erros e ressaltar proezas.
Na riqueza existe a possibilidade de se acessar mais informações, por haverem mais recursos de acesso como livros, teatro, cinema, viagens, lazer e outras formas de entretenimento que custam dinheiros preciosos, o que é inviável para quem não tem nem para o básico. Mas de nada valem os recursos sem o tutano que te faça meditar sobre as informações, por isso vemos tanta gente com grana e tão ignorante.

Enfim, este filme é uma pérola cinematográfica e não me considero capaz de descrevê-lo tal como ele foi feito: brilhantemente. Até porque a impressão de cada pessoa é diferente e subjetiva e acompanha o juízo de cada ser, mas minha impressão neste filme é de que devemos sempre tentar dialogar com nossos familiares, ou com àqueles de quem guardamos mágoas, e se não expressarmos tudo aquilo que nos incomoda a essas pessoas que nos fazem nos sentirmos tão mal, seremos ultrapassados pela torrente de atitudes que essas pessoas invariavelmente cometem e nos deixam tão magoados. Não calar-se, não quietar-se, eis o segredo. Enfrentar, esbravejar e mandar à merda se preciso for, mas não ficar quieto, jamais. Dizer o que te incomoda, nem que isso seja produto da tua cabeça. A pessoa que me convença de que tudo que ela fez é produto meu, e não das suas atitudes.

Também preciso dizer que me emociona o fato de alguém demonstrar sentir amor tão grande por um pai que parecia não amá-lo, como o Gonzaguinha por seu pai.
Amar alguém que nos ama é fácil, tranquilo e no mínimo esperado. Agora: amar alguém que não se importa contigo, se estás bem ou mal, que parece mais querer te ver pelas costas, sendo teu próprio pai, ou quem sabe tua mãe... isso é complicado.

Que filme! Recomendo aos que gostam de uma bela história de amor.

all you need is love

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sonhos molhados

Sonhos são bizarros. E são reais.

Você sonha, acorda, lembra da situação e pensa: " mas foi tão real... ufa... foi só um sonho.". Então, no decorrer do dia você tenta relembrá-lo e lá se foi ele, pras cucuias. O que restou foram leves lembranças.

Os sonhos parecem ser projeções de nossa mente, medos e inseguranças reais que exercitamos em nossas mentes diariamente e que, ao dormir, vivemos intensamente em formato de ópera. Mas tem uns sonhos que são mucho loucos, eu nem chegaria a pensar tais coisas na verdade. Eu nem pensaria que pensei nisso, oras! Aí, descubro feliz que minha mente é criativa pacas, mas pena que ela só se manifesta quando eu tô dormindo... provavelmente por isso muitos cientistas usam o método de entrar em estado de sonolência para terem ideias...

Esse negócio da mente vai muito além do que se cogita. A mente te manda fazer coisas que nem tu mesmo te dá conta, como se defender quando se é atacado ou atacar quando nem mesmo se é agredido. Não existem regras, existem mentes que aprenderam a reagir cada uma à sua forma, à luz de sua vivência. Cada um tem a mente que desenvolveu, isso é óbvio, mas não dá pra arriscar qual vai ser a atitude dessa ou daquela pessoa, nem a nossa mesma... Na realidade vivemos tenteando os outros. Eu tenteio aqui, o outro tenteia lá. Dependendo do meu objetivo ou o da pessoa, não tenteamos nada, esperando a contra-resposta e todo mundo fica paradão que nem bobo, vendo um terceiro tentear e se dar bem.

Às vezes estamos tão absortos em nossos argumentos que não vemos o óbvio. Ele dança no nosso nariz, nos chama de otários e então já não é mais o mesmo quando resolvemos acordar do estupor em que nos encontramos. O óbvio então é outro óbvio. Ele se transformou, e foi modificado pelas nossas atitudes e as atitudes dos que receberam as nossas. Nossas projeções, acredito eu, baseiam-se nesse jogo de tentear aqui e ali, pensar como tudo ficaria se tomássemos essa atitude ou aquela outra, como no jogo de xadrez em que várias jogadas são possíveis e tem suas consequências boas ou ruins. Mas isso é questão de prever movimentos, e existem regras para o movimento de cada personagem no xadrez. Com pessoas, podemos até pensar que existem regras morais, éticas ou sociais, mas cada pessoa age como melhor lhe manda a mente. Como melhor lhe parece a ética, sua ética. Podemos tentear movimentos, mas prever com inteira certeza, jamais.

Na verdade quando espero um movimento, estou projetando ele na minha mente: ó, eu vou fazer isso e aquela pessoa vai fazer aquilo, com base em todas impressões que guardei daquela pessoa. Então eu reajo antes que a pessoa aja, e aí dá a merda. Parece assim: se eu espero que a pessoa faça o bem e ela caga (usando de termos chulos, método mnemônico criado por Mônica) eu só vou esperar/projetar que ela cague para sempre. Mas aí me lembro do Pai Nosso, de perdoar os outros, blá, blá, blá, e tento várias vezes dar a chance de ela não cagar novamente mas ela segue cagando, então eu decido que não vou mais dar a chance de ela cagar comigo. Ponto.
Sabendo de antemão com quem eu lido, após cagadas sucessivas, simplesmente elimino esse indivíduo do meu rol de pessoas. Sim, porque só Cristo pra oferecer todas faces... e não sei se adiantou não, arrisco que se ele voltasse hoje, faria diferente. Paz e amor, sim, ser babaca para todo o sempre de alguém que se nega a aprender, não!

Como eu já espero o "mal" daquela pessoa, por que ela é famosa por cagar, eu já nem me esforço em dar chances. Isso é engraçado, né? Por que, será que essa pessoa age como o esperado, ou será que eu espero tanto que ela cague que eu projeto isso em minha mente e minhas atitudes ensejam essa pessoa a cagar? Será que na verdade ela está cagando porque eu espero isso dela e na verdade essa cagada não é tão molhada assim? Talvez uma análise laboratorial resolva. É cocô ou não é?
Talvez seja tudo um mal entendido, cagadas por cagadas, cada um tem a sua. Guaibão que o diga.
Tudo é questão de ponto de vista... ou seria de privada?

Acho que tô ficando recursiva. E o sonho não acabou...

tentando enxergar o óbvio

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mídia marrom cocô, pererecas e afins


Como eu gosto do silêncio.
A cabeça redemoinha, ainda mais se tomei café demais, quando faz silêncio. Mas me acalma demais o som do nada.

E nessas de silenciar, tenho essa mania de fantasiar a realidade de quando em vez.
Em certos momentos, quando andava mais de ônibus e ouvia minhas músicas, me imaginava num clipe. Daqueles bem melancólicos, tipo If God Was One of Us, com aquela cara de sofrimento e esperança ao mesmo tempo, imaginando as câmeras me filmando enquanto eu fazia caras e bocas de gatinha manhosa, pensando algo como: "será que um dia vou ter que ficar duas horas nesse ônibus? Será que um dia vou cantar de verdade? Será que um dia vou estrelar um clipe real, meu? Será..." e aí eu descia no ponto.

Mas esse devaneio misturado com loucura (creio eu) me ajudava a continuar aguentando algumas penas da vida, como ter que acordar regularmente às seis e algo da matina (isso é uma pena para mim), sentir o cheiro ruim dos traseiros alheios no ônibus e ter de enfrentar a monotonia dos dias e das rotinas, todas. Como ter que bancar o sério no trabalho, quando se quer rir de uma pessoa patética, que tenta te convencer de sua respeitabilidade, sua seriedade, quando se sabe que na real a pessoa não é nada daquilo que tenta aparentar. Como quando aquela menina, sua conhecida, tenta passar a imagem de profunda, filósofa, um ser espirituoso e espiritual, que escreve palavras inteligentes e profundas no site de relacionamento mais famoso do momento, sempre citando frases famosas e inteligentíssimas de autores que ela nunca leu, mas que na verdade está sempre caçando um homem, desesperada por uma transa, e usa todos esses artifícios pseudo intelectualísticos para disfarçar seu ardor sexual e atrair uma presa. Nada contra o ardor sexual, e sim abaixo a hipocrisia. Como quando você quer espirrar no ônibus e segura até o finalzinho, daí dá aquele espirro grotesco, barulhento, meio animalesco, repulsivo, expulsando todas aquelas gotículas asquerosas e ranhentas por sobre os passageiros coitados. E isso não tem nada a ver com coito. 

E por que sonham as pessoas em serem famosas? Porque quando se é famoso, parece que tudo é permitido. Até dar uma cagadinha festiva e molhada na cabeça das pessoas (mas elas tem que aplaudir) é bonito. Porque a maior parte das pessoas se sujeitam a esses seres egocêntricos, malucos e vaidosos, que se dão o direito divinal de fazer o que querem, por que as pessoas permitem. Menos andar de ônibus. Isso é inadmissível para um famoso. 

Sonhar com ser famoso, ser adorado e aclamado é o sonho de 99% da população. O American idol, Fama, The voice, Ídolos, Youtube e Twiter não me deixam mentir. 

Então me vem à mente essa menina aí, Geise Arruda. Assanhadinha. Foi de cós para a faculdade, mostrar "as parte" para a galera. E ainda se fazendo de puritana: "ai, eu só queria usar minha sainha". Então ficou famosa. Por alguns dias.
Assim, ela decidiu, depois de todo alvoroto, que queria ser famosa ad eternum. Que isso estava em seu destino e que ela nasceu para mostrar suas partes. Afinal, só mostrando as pernas até a altura da virilha, já causou tanto rebuliço na mídia (internacional, inclusive), isso só pode se tratar de um sinal de talento. Está certo que sua fama é um lixo, porque para se ter fama, algo deve chamar a atenção das pessoas e comovê-las a ponto de quererem acompanhar as novidades propostas pela celebridade, mas essa moça aparentemente não sabe fazer nada: não tem uma beleza exótica, não produz nenhuma arte significativa, não é uma boa oradora, não tem parente famoso (não que isso seja uma qualidade), mas alguém poderia me dizer o que a destaca na multidão, então? O que é? O que faz? Do que se alimenta?

Viu?!  No meu desprezo até eu me interessei por essa infeliz!

Pois, eis que surgem na mídia esses discursos todos que tratam da liberdade de expressão das pessoas, bradando que era direito da moça mostrar a perereca na faculdade em horário de aula, que era um absurdo o machismo praticado contra a menina. Uma agressão ao seu direito de ir e vir com a perereca de fora.
Nota-se o quanto os valores estão sendo manipulados por alguns grupos sociais, o quanto os argumentos são forjados sobre uma base oca, e estão sendo aproveitados para qualquer fim, até o de defender a liberdade de uso de uma saia que mostre a genitália de uma mulher, para que essa mesma mulher se promova sobre este fato: mostrar sua genitália. E assim é fabricado mais um produto da mídia, sobre bases desonestas que defendem a liberdade de expressão, mesmo que essa liberdade de expressar a sua perereca me incomode. Problema meu, que sou intolerante a odores nauseantes.
Eu queria ver se um rapaz fosse à faculdade com o escroto de fora. O que aconteceria? O que diriam? Estuprador! Safado! Ele quer me comer, socorro!

Mas, mesmo com sua fama instantânea e sua total falta de talento para o que quer que seja, todo dia há uma notícia no Terra, Fuxico, ou algum destes sites de curiosidades inúteis, anunciando alguma imbecilidade da moça. 
O pior é que veiculam esse tipo de notícia-estrume e aí tu te perguntas: que tipo de jornal é esse? Qual o nível desses jornalistas, hein? Ou será jornaleiros, porque eles mais querem é vender notícias, associadas aos seus produtos de mídia.
E mais: quem são as pessoas com aproximadamente meio neurônio que se dispõe a ler estas notícias? 

Certo. Eu sei como funciona o esquema da imprensa marrom. Geise Arruda é um produto dessa mídia de bosta, como a expressão bem anuncia, e feia como o cão chupando manga, mas agora com a "pomba" recauchutada, segundo as notícias recentes do grande jornal Terra (que se fosse impresso serviria a calhar para outros fins).

Ai, que me importa a perereca dessa moça? Pererecas existem aos montes, e realmente não me interesso por este ramo, que de perereca já basta a minha. Então, os chatos de plantão que precisam defender tudo, até o que eles não concordam, dirão que se há esse tipo de notícia, há público, e que há espaço para todo tipo de notícias, portanto, que se busque outro site ou jornal. Ou outro mundo né? Mas então, eu pergunto: porque me parece que esse tipo de notícia imbecil está tomando conta dos meios de comunicação do país? Porque tanta gente se ocupa mais da novela do que de suas vidas reais? Porque nosso país parece estar se tornando um país de zumbis mentais?

Pena que algumas pessoas maravilhosamente criativas morrem cedo e outras, como essa moça, que como talento exibem sua perereca, surgem como macega no pântano. Não que eu esteja desejando a morte de pessoas assim, longe de mim, mas a notoriedade deste tipo de celebridade furada denota o nível cultural de nosso povo. E isso assusta.

Não vou ficar triste, não. Tenho fé de que algumas pessoas criam e criarão seus filhos segundo outros parâmetros, que não os ditados por essa lama toda chamada mídia.

Salve a alegria. Salve minha fé. Como eu gosto do silêncio.

nada como ler no banheiro pela manhã