quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ser

Neste blog costumo fazer minha pesquisa de opinião interna, com minhas análises sobre o conteúdo e o que é mais acessado. E vejo que quando resolvo falar tudo o que penso, é quando acontece mais atividade, mais visualizações, mais tudo.

O que apuro disso é que quanto mais somos o que somos, mais criamos identificação com as pessoas. Mas ser o que se é não é algo muito fácil não. Nada fácil. Vivemos sob um forte condicionamento social, é muito arriscado expressar o que se é, corremos o risco de sermos isolados, atacados, atingidos. Mas o retorno é muito grande, porque simplesmente, o retorno é a liberdade de ser, é a liberdade de sentir que não importa se vão concordar ou não com você, você simplesmente é. Acredito que isso é bem próximo de se amar, amar o que você é, com todas as falhas e imperfeições existentes... 

Estou numa fase de me apaixonar por mim mesma. E tô descobrindo que eu sou maravilhosa, cada pedacinho, cada alto e baixo, cada erro, cada acerto, tudo. Eu sou incrível! E eu fico olhando para as pessoas maravilhada, pensando no quanto algumas são maravilhosas e nem se dão conta... ficam se culpando, acreditando no que as outras lhes dizem, e se eu pudesse dizer com toda a liberdade do universo: "olha aqui, eu tenho uma coisa pra te dizer... tu é maravilhosa, viu? Vê se pára de te culpar, não existe culpa no que tu faz. Só existe tu. E eu te admiro no que me identifico, e coloco num saco o que não me agrada. Por que o que não me agrada é meu, e não teu. E se tu não me curte, tudo bem, ainda assim te curto. Em silêncio. Tudo bem, eu usufruo do teu ser, e tu nem sabe...".

Muitas vezes eu recebi muitas e muitas críticas. E também já fiz. Mas no final me dei conta de que se alguém quer mudar aquilo que sou, essa pessoa tá muito enganada, porque justamente ela me curte naquilo que mais a incomoda... e vice-versa. Me dei conta de que quando critico alguém já tá tudo errado, na real eu gosto muito de todos aqueles pretensos "defeitos" ali expostos... mas é claro que eu não vou contar isso pra pessoa né? Porque senão, ninguém aguenta, nem a própria pessoa... 

E nas minhas orações diárias, peço:
Liberdade!
Liberdade de meus próprios preconceitos,
liberdade de minhas dúvidas,
liberdade de meus medos,
liberdade de tudo que me aprisiona,
quero simplesmente SER.

o Carvalho é símbolo de resistência, pelas intempéries que enfrenta, o que o torna mais firme e forte

terça-feira, 16 de junho de 2015

Sense8

Sense8. A nova séria da Netflix mais 10 que eu já vi nos últimos anos.
O negócio é furioso!
Fala de amor homossexual/heterossexual, fala de conexão mental entre as pessoas, fala de culturas diferentes, vivências diferentes e um único elo: o elo do amor.

É uma ficção, mas bem poderia ser uma realidade. Ou bem é uma realidade, em partes.
Não podemos comprovar que existem conexões mentais entre as pessoas - ainda não foi comprovado científicamente - mas acredito que chegará o dia em que isso será lugar comum na sociedade. No caso da série são somente oito pessoas que têm essa conexão, e quando elas estão em apuros pedem ajuda e usam a habilidade que um (ou vários) dos outros "conectados" possui. Assim, o talento de um pode ajudar o outro em momentos de necessidade. Achei bárbaro isso porque todos se ajudam, como se fossem irmãos, mas sem laços sanguíneos, de parentesco ou sociais, se ajudam porque são unidos pela conexão mental que os liga desde o nascimento.
Isso me remete para a nossa vida real, a nossa ligação mental que ainda não conseguimos comprovar... 
Já tive a sensação de estar conectada com outras pessoas diversas vezes... aquele lance de "tô pensando algo e a pessoa diz", mas sem termos tido qualquer conversa sobre isso antes... e essa ligação mental não aconteceu somente com pessoas íntimas, porque com as íntimas nem se fala...

Penso que somos todos conectados e achei bárbara essa série porque ela fala de amor por todos, sem discriminação de sexo, cor, idade, nível social, ou seja lá o que quer que nos destaque "socialmente" uns dos outros. Gostei dessa série porque ela nos diz que todos temos algum talento, e esse talento serve para alguém que não o tenha, ou seja, se unimos nossos talentos somos unos, somos completos.

Enfim, gostei dessa série porque ela fala de sexo com amor. Amor com sexo. E não é pornografia, é materialização na carne daquilo que nos toca o espírito.

Valeu irmãos Wachowski!


All we need is love!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Pureza

Tem um lance meu com mendigos que eu ainda não consegui destrinchar...

Ontem eu tava na parada de ônibus, com a minha filhota Olívia a tiracolo, naquele negócio chamado sling, em que a criança fica maravilhosamente pendurada enquanto a mãe fica com as mãos livres pra fazer o que quiser.

Então, tava eu ali esperando o bus, quando um mendigo se aproxima, pedindo dinheiro à todos, podre de sujeira, chegava a ter uma luva preta de restos de tudo, na boca tinha um resto de comida, e o cheiro tava demais, exalava todo tipo de fedor... bah, ele tava tri fedorento.

De repente ele pára na minha frente. Cutuca as costinhas da Olívia, que no caso tá de frente pra mim, grudadinha no meu colo, como uma macaquinha. Ele a cutuca com aquele dedão maravilhoso, cheio de cocô seco e comida podre também. Bah, um nojo. Mas não consigo afastar ela. Me parece cruel privar o mendigo de admirar uma criancinha. Ela é tão linda. Todo mundo admira ela. Eu babo olhando ela babando...
Enfim, como ele não é correspondido com a cutucada, segue a investida chamando: "Bebezinha, só quer ficar no colinho né?", e eu respondo: "Esse é o melhor colo do mundo.".

Daí, percebo os olhares das pessoas na parada.

Ele segue chamando a bebezinha, e eu viro a Olívia para ele, para que ela possa olhá-lo de frente, assim como ele. Ele fica falando com ela, com a boca cheia de resto de comida pendurada... depois de alguns segundos ela finalmente ri para ele. Então ele ri, eu rio, pronto: compartilhamos uma alegria.

Ele vai embora assim como chegou: do nada, sem se anunciar ou se despedir. 
Espero que ele tenha sentido algo muito bom naquele momento.
Enquanto todos o repudiavam, a neném sorriu. E a mãe da neném não o tratou mal, deu atenção a ele. Dei atenção ao afeto que ele estava demonstrando por ela.

Diante de tanta podridão no mundo, podridão que há dentro das pessoas, a podridão externa daquele mendigo me pareceu uma carapuça para algo muito limpo. Coberto de miséria e repulsa de todos os lados, principalmente de si mesmo, ele conseguiu parar para se encantar um pouco com uma criança. E isso por si só mostra a pureza que há dentro dele.

Apesar de na hora ter sentido um pouco de nojinho do aspecto todo dele e da possibilidade de ele encostar as mãos sujas na minha neném, ainda assim encontrei dentro de mim um pouco de humanidade ao dividir minha alegria com ele. Ele me deu algo bem maior, acho. Ele me fez ver que todos nós podemos estar naquela situação e ainda assim sermos amáveis. Ele me fez ver que podemos estar limpinhos e com muita coisa ruim dentro de nós. Não são todas as pessoas que retribuem um sorriso, ou que retribuem o sorriso de um neném. Existem pessoas que não querem contato com outras pessoas, e são muito frias quanto a sentir. E, sobretudo: praticam muitos males em nome dessa frieza, com a desculpa de que estão se protegendo da sociedade maldosa e ruim.

Essas pessoas podem ter um cheiro corporal maravilhoso, tomam muitos banhos por dia, tem perfumes maravilhosos armazenados em suas prateleiras, mas o senso de humanidade e afeto pelos demais é fedorento. Fede a medo. Fede a desprezo. Fede a morte em vida.

Obrigada mendigo, por me fazer sentir.


a pureza de se encantar com coisas simples

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A Paz

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
(Gilberto Gil, A Paz)


Não sinto meus pés no chão. Não sinto como se tudo fosse ruim. Sinto como se tudo fosse bom, até mesmo aquilo que não parece.

Se isso é ruim, então no ruim quero ficar, quero continuar, mas sei, dentro de mim, sinto em mim que isso não tem nada, mas nada mesmo de ruim. É tudo bom, é tudo amor, é tudo puro e simples como deve ser.

Tanta luz existe em nosso interior. Somos feitos de luz, a luz divina, somos seres lindos mas insistimos em acreditar que somos feios... e essa crença, essa insistência, faz com que sejamos mal comportados, insistindo como crianças teimosas em comportamentos que só nos causam sofrimento...
Assim, chega de sofrimento!
Chega.
Agora só quero a paz.

Obrigada Papai e Mamãe do Céu por tamanho amor em meu coração.

quero voar

segunda-feira, 9 de março de 2015

Criança precisa de carinho

Crianças não precisam de televisão, quem precisa da televisão são os pais (na verdade nem eles precisam, mas isso é outro assunto...).

Observando minha filha de nove meses diariamente, vejo que ela não tá nem aí pra TV. Coloco desenhos diversos, dos mais frenéticos aos mais paradinhos (os meus preferidos são os do Cartoon), mas ela nem tchu pro desenho...

O que ela gosta mesmo é de mexer nas minhas plantas, ir até a fruteira e enfiar uma batata na boca, brincar com a casca da cebola que faz plec, plec, plec... com barulho similar àqueles brinquedos caríssimos de algumas marcas que exploram a mão de obra escrava da China, Indonésia, Nicarágua, e por aí vai... 

Crianças são simples, e nós também. Mas aí a gente cresce e complica tudo acreditando no que nos dizem, de que eles precisam disso e daquilo e daquilo outro... quando na verdade eles precisam de carinho, e só. E carinho por si só engloba:

- dar comida nutritiva e boa de verdade: banana, maçã, mamão, couve com ovo, feijão, arroz, beterraba, suco de agrião com laranja... hum... se desde nenéns eles saborearem alimentos assim, certamente eles serão mais sadios e decididos. A alimentação interfere diretamente no que nós somos, não adianta fugir disso. Se nos alimentamos mal, temos mal sentimentos entre outras sensações, se nos alimentamos bem, com itens naturais e nutritivos, somos aquilo que comemos. Essa máxima é antiga mas é mais certa do que nunca em tempos que a comida industrializada destrói a percepção das pessoas acerca da sua união com a natureza e todos os outros indivíduos.

- é se preocupar com o desenvolvimento deles deixando-os brincarem à vontade sem julgamentos. Sabe aqueles pais que controlam como os seus filhos brincam? É terrível um pai ou mãe cerceando uma criança numa brincadeira inocente, mas mais terrível é que todos nós podemos incorrer nesse erro por excesso de preocupação com a saúde da criança. Já observei pais que não deixaram seus filhos subirem no trepa-trepa, por medo que eles caíssem... desculpa, mas considero isso tortura com os pequenos... vamos nos colocar mais no lugar das crianças e tentar pensar como se fossemos elas?

- dar limites, sim, para que eles e nós aprendamos que os limites existem por algum motivo, e o motivo é o respeito ao próximo, ao espaço do outro, nós não somos ilhas em nós mesmos e cada um tem seu espaço e sua necessidade;

- deixar bem claro que os pais são pais e não coleguinhas da escola. Uma coisa que me assusta é quando vejo crianças jogando bolas na cabeça de seus pais e estes rindo... e não falo de crianças pequenas, mas crianças de 12 anos... Jesus...

- deixar a criança ao ar livre observando as árvores e a natureza. Isso os conecta com o que realmente somos: integrantes da natureza, não somos superiores ou inferiores, somos parte dela e se desde pequenos fossemos criados para entender isso, o mundo seria bem diferente...

- procurar desenvolver as habilidades e potencialidades da criança de maneira descontraída, sem pressão, só pelo prazer de ser, sem pensar no que pode ser extraído daquilo, mas no quanto a criança se divertiu com aquilo. E nós também, ao vermos nossos pequenos mais tranquilos e serenos nos sentimos mais felizes. É recíproco.

Todos os dias aprendo algo novo na arte de ser mãe. Não é fácil, pois sei que estou influenciando um ser, que minhas atitudes regerão muitos pensamentos e atitudes deste ser, então com essa consciência me puxo muito mais, me observo, me disciplino e sempre tento rever o que estou fazendo de errado e o que estou fazendo certo. É um trabalho de pesquisa, observação, com coleta de dados e mudança de rumos, muitas vezes. Mas é o melhor trabalho do mundo, com certeza!



"Tudo vale à pena se a alma não é pequena." (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Suicídio coletivo

O calor está definitivamente chegando para se instalar no planeta terra.

É terrível ver como somos impotentes sozinhos, nesta era de desgaste da natureza, ocasionado pela má utilização dos recursos naturais que temos no planeta. Nós, humanidade, homens e mulheres, usamos muito mal nossos recursos naturais, nossas maiores riquezas. Nossos irmãos índios sabiam respeitar a natureza, mas o bendito homem branco cagou tudo.

E ainda influenciou o índio para que ele fizesse junto. Hoje muitos índios se comportam como homens brancos, (por sua livre escolha, sim) esquecendo seu passado de respeito à Mãe Terra, à Mãe Natureza e flagelam e se vendem tais como o homem branco-burro-besta.

Nosso planeta está aquecendo, e já é previsto que se continuarmos nesse ritmo, a temperatura aumentará em torno de 2 graus até 2050. Isso parece pouco mas em termos de temperatura média equivale a grandes proporções, grandes mudanças. Muitas espécies, marinhas e terrestres tendem a desaparecer por conta do aumento da quantidade de água nos oceanos ocasionado pelo derretimento das geleiras dos polos. Muitos aquíferos serão salinizados por conta da submersão de muitos territórios e a maior briga no futuro será por água, bem como preconizava o filme Mad Max...

Muitas regiões serão atingidas pela seca e um enorme fluxo migratório ocorrerá por conta deste panorâma seco e desidratado que algumas regiões assumirão.

E todos sabemos o que devemos fazer, pois não? Economizar água, parar já o desmatamento das florestas, emitir menos gases tóxicos, consumir menos produtos que só se transformam em lixo, reciclar o lixo que pode ser reciclado, separar o lixo orgânico para adubo, respeitar a natureza, usar menos o carro, andar mais de bicicleta, etc, etc, etcétera.

Somos a geração que vivencia os últimos arroubos de abundância energética e recursos naturais, e assistimos atônitos às mudanças climáticas devaneando que são somente especulações de malucos fanáticos sobre as mudanças que estão por vir. Malucos são os que duvidam. Não há mais como duvidar, nem um cego pode se negar tanto a enxergar. Somos os responsáveis pela mudança imediata de comportamento para que a situação não se agrave mais ainda, e não estamos fazendo quase nada para isso. QUASE NADA. Estamos gozando do restinho que é possível, falamos muito, especulamos um tanto outro, mas nada do que falarmos ou especularmos irá ajudar, somente ações é que são importantes, é que mudam alguma coisa.

Somos donos deste planeta e nos comportamos como inquilinos: usamos, sujamos, destruímos, e vamos embora. Para onde?? Manés. Somos donos e não somos, Deus nos cedeu um lugar lindo e incrível para desfrutarmos e aprendermos sobre a beleza de viver com amor e não demos nenhum valor, somente nos preocupamos com estas merdas todas chamadas coisas. E essas coisas não nos servem para nada mais do que distrair nossa consciência do que é mais importante: nossa família.

Nossa família é gigantesca, porque todos somos irmãos neste planeta, inclusive os animais e plantas, e estamos destruindo nossa família, estamos destruindo a nós mesmos. Na verdade isso é um suicídio coletivo.

E o pior e melhor de tudo isso é que não basta uma ação isolada para reverter esse processo, se todos não mudarmos esse panorâma de abuso e destruição, nós seremos extintos deste planeta. Deus nos ensina a nos unirmos para vencermos, não há outra saída. Não adianta eu fazer a minha parte se você não faz a sua. Não adianta eu me deitar em quem faz algo enquanto só reclamo, é preciso que todo mundo faça a sua parte, dê o seu melhor. Como o beija-flor na floresta, quando ocorreu o incêndio, o bichinho ia buscar água, com seu biquinho, e de biquinho em biquinho tentava conter o incêndio. Quando questionado por outros animais pela sua loucura, pois ele nunca apagaria o incêndio, ele respondeu: "Não sei se vou conseguir apagar este fogo, mas estou fazendo a minha parte.".

Qual é a sua parte que pode ser feita?