segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mídia marrom cocô, pererecas e afins


Como eu gosto do silêncio.
A cabeça redemoinha, ainda mais se tomei café demais, quando faz silêncio. Mas me acalma demais o som do nada.

E nessas de silenciar, tenho essa mania de fantasiar a realidade de quando em vez.
Em certos momentos, quando andava mais de ônibus e ouvia minhas músicas, me imaginava num clipe. Daqueles bem melancólicos, tipo If God Was One of Us, com aquela cara de sofrimento e esperança ao mesmo tempo, imaginando as câmeras me filmando enquanto eu fazia caras e bocas de gatinha manhosa, pensando algo como: "será que um dia vou ter que ficar duas horas nesse ônibus? Será que um dia vou cantar de verdade? Será que um dia vou estrelar um clipe real, meu? Será..." e aí eu descia no ponto.

Mas esse devaneio misturado com loucura (creio eu) me ajudava a continuar aguentando algumas penas da vida, como ter que acordar regularmente às seis e algo da matina (isso é uma pena para mim), sentir o cheiro ruim dos traseiros alheios no ônibus e ter de enfrentar a monotonia dos dias e das rotinas, todas. Como ter que bancar o sério no trabalho, quando se quer rir de uma pessoa patética, que tenta te convencer de sua respeitabilidade, sua seriedade, quando se sabe que na real a pessoa não é nada daquilo que tenta aparentar. Como quando aquela menina, sua conhecida, tenta passar a imagem de profunda, filósofa, um ser espirituoso e espiritual, que escreve palavras inteligentes e profundas no site de relacionamento mais famoso do momento, sempre citando frases famosas e inteligentíssimas de autores que ela nunca leu, mas que na verdade está sempre caçando um homem, desesperada por uma transa, e usa todos esses artifícios pseudo intelectualísticos para disfarçar seu ardor sexual e atrair uma presa. Nada contra o ardor sexual, e sim abaixo a hipocrisia. Como quando você quer espirrar no ônibus e segura até o finalzinho, daí dá aquele espirro grotesco, barulhento, meio animalesco, repulsivo, expulsando todas aquelas gotículas asquerosas e ranhentas por sobre os passageiros coitados. E isso não tem nada a ver com coito. 

E por que sonham as pessoas em serem famosas? Porque quando se é famoso, parece que tudo é permitido. Até dar uma cagadinha festiva e molhada na cabeça das pessoas (mas elas tem que aplaudir) é bonito. Porque a maior parte das pessoas se sujeitam a esses seres egocêntricos, malucos e vaidosos, que se dão o direito divinal de fazer o que querem, por que as pessoas permitem. Menos andar de ônibus. Isso é inadmissível para um famoso. 

Sonhar com ser famoso, ser adorado e aclamado é o sonho de 99% da população. O American idol, Fama, The voice, Ídolos, Youtube e Twiter não me deixam mentir. 

Então me vem à mente essa menina aí, Geise Arruda. Assanhadinha. Foi de cós para a faculdade, mostrar "as parte" para a galera. E ainda se fazendo de puritana: "ai, eu só queria usar minha sainha". Então ficou famosa. Por alguns dias.
Assim, ela decidiu, depois de todo alvoroto, que queria ser famosa ad eternum. Que isso estava em seu destino e que ela nasceu para mostrar suas partes. Afinal, só mostrando as pernas até a altura da virilha, já causou tanto rebuliço na mídia (internacional, inclusive), isso só pode se tratar de um sinal de talento. Está certo que sua fama é um lixo, porque para se ter fama, algo deve chamar a atenção das pessoas e comovê-las a ponto de quererem acompanhar as novidades propostas pela celebridade, mas essa moça aparentemente não sabe fazer nada: não tem uma beleza exótica, não produz nenhuma arte significativa, não é uma boa oradora, não tem parente famoso (não que isso seja uma qualidade), mas alguém poderia me dizer o que a destaca na multidão, então? O que é? O que faz? Do que se alimenta?

Viu?!  No meu desprezo até eu me interessei por essa infeliz!

Pois, eis que surgem na mídia esses discursos todos que tratam da liberdade de expressão das pessoas, bradando que era direito da moça mostrar a perereca na faculdade em horário de aula, que era um absurdo o machismo praticado contra a menina. Uma agressão ao seu direito de ir e vir com a perereca de fora.
Nota-se o quanto os valores estão sendo manipulados por alguns grupos sociais, o quanto os argumentos são forjados sobre uma base oca, e estão sendo aproveitados para qualquer fim, até o de defender a liberdade de uso de uma saia que mostre a genitália de uma mulher, para que essa mesma mulher se promova sobre este fato: mostrar sua genitália. E assim é fabricado mais um produto da mídia, sobre bases desonestas que defendem a liberdade de expressão, mesmo que essa liberdade de expressar a sua perereca me incomode. Problema meu, que sou intolerante a odores nauseantes.
Eu queria ver se um rapaz fosse à faculdade com o escroto de fora. O que aconteceria? O que diriam? Estuprador! Safado! Ele quer me comer, socorro!

Mas, mesmo com sua fama instantânea e sua total falta de talento para o que quer que seja, todo dia há uma notícia no Terra, Fuxico, ou algum destes sites de curiosidades inúteis, anunciando alguma imbecilidade da moça. 
O pior é que veiculam esse tipo de notícia-estrume e aí tu te perguntas: que tipo de jornal é esse? Qual o nível desses jornalistas, hein? Ou será jornaleiros, porque eles mais querem é vender notícias, associadas aos seus produtos de mídia.
E mais: quem são as pessoas com aproximadamente meio neurônio que se dispõe a ler estas notícias? 

Certo. Eu sei como funciona o esquema da imprensa marrom. Geise Arruda é um produto dessa mídia de bosta, como a expressão bem anuncia, e feia como o cão chupando manga, mas agora com a "pomba" recauchutada, segundo as notícias recentes do grande jornal Terra (que se fosse impresso serviria a calhar para outros fins).

Ai, que me importa a perereca dessa moça? Pererecas existem aos montes, e realmente não me interesso por este ramo, que de perereca já basta a minha. Então, os chatos de plantão que precisam defender tudo, até o que eles não concordam, dirão que se há esse tipo de notícia, há público, e que há espaço para todo tipo de notícias, portanto, que se busque outro site ou jornal. Ou outro mundo né? Mas então, eu pergunto: porque me parece que esse tipo de notícia imbecil está tomando conta dos meios de comunicação do país? Porque tanta gente se ocupa mais da novela do que de suas vidas reais? Porque nosso país parece estar se tornando um país de zumbis mentais?

Pena que algumas pessoas maravilhosamente criativas morrem cedo e outras, como essa moça, que como talento exibem sua perereca, surgem como macega no pântano. Não que eu esteja desejando a morte de pessoas assim, longe de mim, mas a notoriedade deste tipo de celebridade furada denota o nível cultural de nosso povo. E isso assusta.

Não vou ficar triste, não. Tenho fé de que algumas pessoas criam e criarão seus filhos segundo outros parâmetros, que não os ditados por essa lama toda chamada mídia.

Salve a alegria. Salve minha fé. Como eu gosto do silêncio.

nada como ler no banheiro pela manhã

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