sexta-feira, 24 de maio de 2013

Não me encontro a fim, agora

Preciso escrever.
Parei, sentei, li, pensei e escrevi.
Difícil parar, sentar, ler, pensar, escrever nem tanto. Ainda bem que respirar é involuntário.
Esses dias estão loucos, atividades demais, pensamentos demais, leituras demais, tempo de menos, cansaço extremo, ônibus lotado, engarrafamento em todas partes da cidaaaaaaaaaaaaaaaaadeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Pare o mundo que eu quero descer! (Mestre Raul)

Me convenço, cada dia mais, de que meu lugar predileto é a biblioteca.  E a minha casa, em dias silenciosos.
Vejamos por quê:

É tão bom pensar em silêncio.
Ninguém quer te contar imbecilidades.
Não tenho que ouvir imbecilidades.
É bom estar com pessoas, mas é bom dar um tempo delas.
Não tem ninguém gritando do teu lado, ou comendo as unhas de forma barulhenta e asquerosa.
Não sinto cheiro de bunda horrível. Cheiro ou bunda horrível? Os dois.
Ninguém abre a boca e sai aquele odor nauseante, similar, provavelmente, ao de uma múmia abrindo sua boca depois de milhares de anos.
Ninguém fuma do meu lado. E não abre sua boca/tumba com fedor de cigarro misturado com dentes podres/rins inflamados.
Não ouço barulho de salto alto irritante de pessoas que ADORAM andar com saltos irritantes.
Na biblioteca, os atendentes pedem para as pessoas falarem baixo, me poupam o trabalho de mandar-lhes calar a boca, mentalmente.
Você tem menos chance de ser roubado, entre outras coisas super chatas que podem te acontecer nas ruas.
Não preciso lidar com o mau humor de pessoas que mal/não conheço, ego inflamado, vontade de incomodar, competição desnecessária, há vezes em que pessoas se digladiam por um lugar na fila! E por aí vai a cretinice humana.
O celular não pega em algumas bibliotecas. Em casa não pego o celular.
Em bibliotecas há livros.

Enfim, poderia discorrer mais uns cem tipos de vantagens relativas à condição de estar em uma biblioteca, mas não me encontro a fim, agora.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Não falta dinheiro, falta amor


Alguém saberia identificar o que mais falta às pessoas? Em geral?

Uns diriam: falta habitação. Tem muita gente morando na rua, debaixo das marquises, em barracos quase desmoronando. Definitivamente faltam moradias, no mundo todo.

Outros diriam: falta comida, isso sim! Dizem que sobra comida no mundo, mas por que tem tanta gente passando fome? E não é só na África, não.

Há os que dirão que o que falta é dinheiro. Que a origem de todas disputas, da miséria, da criminalidade e das discórdias em sociedade provém da falta de dinheiro. Alguns tem muito e outros, muito pouco.  Esse desequilíbrio financeiro é o que dá origem às outras carências e, portanto, é o que mais falta às pessoas.

Pois eu digo que não. O que mais falta às pessoas é amor. Simples e complicado assim.

O amor que falta às pessoas é o que dá origem a todas as outras misérias. Sem amor não somos nada, não somos nossa casa, nossa comida ou nosso dinheiro. Somos a busca de todo o resto, com a esperança de encontrarmos a plenitude que nos falta, quando não temos amor. E muitos confundem o amor com dinheiro, com posses, com troféus que a sociedade nos apresenta como satisfação garantida para a nossa inquietude, para a nossa carência de amor. Só que não! Sem amor, mesmo que tenhamos tudo de melhor na vida, ainda assim, nos sentiremos vazios. E incompletos. E insatisfeitos com tudo o que de melhor "temos".

E por que é simples e complicado ter amor? Porque amor não é algo comprável em farmácias e drogarias. Não tem para vender no super. Nem em puteiros, ou pela Internet.

Amor dificilmente acontece à primeira vista. Às vezes nem na segunda ou terceira. Amor nasce de várias formas: pode ser de amizade, de inimizade, na tristeza, com vontade, sem vontade, na chuva, em dias de preguiça, pode surgir de um amor desfeito. Amor nasce como uma planta que acha um solo fértil para o seu nascimento. Mas amor exige entrega, perdão, não submissão. Amor tem que ser conquistado, alimentado, suprido, concebido e refeito, em caso de danos. Amor precisa de espaço, de medida certa para os mais diferentes tipos. Amor não fere, mesmo que seja forte ou truculento. Amor é delicado e, se por um descuido faz doer, pode se desculpar sinceramente e tentar refazer o amor.

Amor é união, é alegria, é conforto. Amor não é domínio, nem humilhação, mentira ou abandono.

Amor é puro, não finge e, se for fingido, vê-se no olho, nos gestos, que se trata de uma atuação. 
Uma tentativa de amor. Às vezes alguns amores podem começar assim, com tentativas, simulações de amor, mas se não for bem dosado esse fingimento inicial, essa encenação não vira amor, vira teatro. 
E pluf!

E a maior prova de que minha constatação é verdade, de que falta amor, é a grande, a intensa, a inesgotável ansiedade dos seres humanos por encontrar amor em animais de estimação. 
Claro que nós amamos os animaizinhos! Eles são dóceis, não falam, muitos não reclamam, suportam duras adversidades ao nosso lado, são a projeção do amor verdadeiro, ao alcance de nossas mãos.
Mas insisto, ainda assim, mesmo que você tenha mil cachorros e 3 mil gatos, ainda assim, faltará amor.

Porque precisamos amar nossos semelhantes, precisamos entender e ser entendidos no mesmo nível de raciocínio que o nosso. Alguns animais são mil vezes mais amorosos que algumas pessoas, mas será que essas pessoas não foram ensinadas que amar é coisa de idiota, de burro, de pessoa ingênua e coitadinha? Os animais não tem esse tipo de ensinamento, ou não tem compreensão para entender tal lição, então seu amor é dos mais puros pois não é tolhido, como nós somos desde que nascemos, desde que gritam conosco por motivos bobos quando somos pequenos, e aprendemos que se mostrarmos fraqueza, gritarão mais ainda. Esse é o legítimo ensinamento que deprecia o amor. Ficamos com medo/vergonha de expor o que sentimos e repassamos esse comportamento tolhido e impensado adiante, propagando a diminuição constante do amor. A diminuição constante de sua valorização como bem mais fundamental da nossa vida.

Tenho um pouco de pena das pessoas que dizem não acreditar no amor. Penso que talvez nunca tenham sentido - o que acho difícil - ou não entenderam do que se tratava quando o sentiram. Acho muito impossível não sentir amor, o que não se sabe é identificá-lo, pois associamos o amor à outras idéias, como a ilusão de um relacionamento amoroso perfeito, como nos filmes românticos americanos, ou contos de fadas com príncipes e princesas e seus finais felizes eternos.

O amor é perene em sua inconstância! O importante é viver o que estamos sentindo naquele momento que o sentimos, sem pensar no que virá, ou se aquela sensação terá uma duração de trinta anos ou vinte segundos. Temos essa mania de querer situações eternas e duráveis, mas, na verdade, a duração não importa, o que importa é o que este amor provocou em você. Como nós mudamos em função desse sentimento. O que eu não reconheço mais em mim, de bom ou ruim, depois que passei a amar.

E quando falo de amor, não estou falando só de amor romântico entre homem e mulher, estou falando de amor por filhos, amigos, pais, irmãos de sangue, irmãos de afinidade, colegas de trabalho, parceiros de dança, dias de sol, sono tão profundo que babamos, rir com amigos, ver um filme bom, andar de bicicleta, beijar na boca do seu amado, ler um livro de 300 páginas em dois dias. O amor existe em todo e qualquer lugar, é só nos permitirmos e permitirmos aos outros vivenciar esse amor. É só nos entregarmos a ele, sem vergonha do que estamos sentindo, sem medo de que termine e sabendo o momento de nos ausentarmos, se preciso for.

Tem um poema do Vinícius que, para mim, simboliza o amor em sua essência:

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Desejo a todos no universo, em suas mais variadas formas, que sintam muito, mas muito amor, principalmente por si mesmos.




Amo