domingo, 26 de maio de 2013

Tchããã, nojento!

Estranhas e interessantes afirmações costumam surgir no mundo rural/acadêmico. 

Dia desses ouvi de um colega que difícil não era a matemática e sim plantar e colher maçãs. Considerando que sua vida pré faculdade havia decorrido em um ambiente de agricultura familiar, nada mais justo do que conceder-lhe a razão ou, no mínimo, minha incerteza, já que não entendo bulhufas de colheitas, ou maçãs, ou matemática.

Achei interessante tal afirmação. Maçãs parecem ter uma ascendência tão fácil, pronta. Nasce a árvore, depois de madura, nascem-lhe as folhas, flores e, de pronto, vem as frutas. Caem do pé, sobre a cabeça de um Newton qualquer, quiçá, e as comemos com moderado prazer: não gosto muito de maçãs. Ajuda o fato de que, atualmente, nossas maçãs são carregadas de agrotóxico e transgênicas de nascença, o que as fez perder todo encanto, considerando que um dia talvez tenham tido...

Maçãs são como seres humanos, rijos em sua juventude, firmes, mas quando principiam a envelhecer se lhes abandona o viço, a fartura. Tal como a maçã, o ser humano murcha. Alguns se tornam fartos de tecido adiposo a medida que avançam em idade, mas sua fartura representa então acúmulo de energia para o inverno, não carne tenra.

Como envelhecer é inevitável, penso que as pessoas deveriam cuidar mais de seu sorriso. Não somente no aspecto estético, que isso demanda grana que nem todo mundo tem, além do quê algumas pessoas arrumam os dentes e continuam com cara de bunda, mas falo do sorriso aquele que dá forma à nossa boca, o sorriso interno que forma ou deforma nossa expressão facial. O sorriso espontâneo, a leveza de ser, o legítimo descuido com "o que vão pensar de mim se eu rir nesse momento".
Sim, porque, experimenta pegar um bus na cidade, dar um rolé pelo centro, passear no shopis, as pessoas tem uma cara tão feia, uma expressão de raiva, de nojo, de irritação constante, de enfado, de peido trancado, que gente sem graça e feia.

Porque não exercitam um pouco o sorriso? Pensem em coisas boas, leiam umas piadas, brinquem mais, sonhem mais, falem mais bobagem, amem mais de verdade, beijem mais, abracem mais, dancem mais, façam mais amor, peidem mais, vejam mais Porta dos Fundos, sei lá, façam coisas divertidas e descomplicadas como assobiar alto, chutar pedra no chão, brincar com cachorro manso e, sobretudo, riam mais de si mesmas. Sejam patéticas! Eu garanto que faz bem. Sei fazer isso como ninguém e isso me deixa muito feliz.

Sorrir é fundamental, fodam-se os chatos de plantão. Sorrir aproxima as pessoas. Sorrir faz o menino tímido conquistar a gatinha. Sorrir faz o mundo parecer mais colorido em dias nublados. Sorrir embeleza pessoas que parecem feias. Sorrir exercita os músculos da face, o rosto fica malhadinho... Sorrir é gentileza para as pessoas, tal como sopa é alimento para os que têm fome. Sorrir abre portas. Sorrir dá leveza à vida dura. Sorrir une.

Eu aposto na ideia de que se as pessoas sorrissem mais e reclamassem menos de suas vidas, nosso mundo seria um lugar bem melhor de viver. No mínimo mais sorridente...


Viva o sorriso!

O sorriso mais lindo do Universo!


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Não me encontro a fim, agora

Preciso escrever.
Parei, sentei, li, pensei e escrevi.
Difícil parar, sentar, ler, pensar, escrever nem tanto. Ainda bem que respirar é involuntário.
Esses dias estão loucos, atividades demais, pensamentos demais, leituras demais, tempo de menos, cansaço extremo, ônibus lotado, engarrafamento em todas partes da cidaaaaaaaaaaaaaaaaadeeeeeeeeeeeeeeeeeee!
Pare o mundo que eu quero descer! (Mestre Raul)

Me convenço, cada dia mais, de que meu lugar predileto é a biblioteca.  E a minha casa, em dias silenciosos.
Vejamos por quê:

É tão bom pensar em silêncio.
Ninguém quer te contar imbecilidades.
Não tenho que ouvir imbecilidades.
É bom estar com pessoas, mas é bom dar um tempo delas.
Não tem ninguém gritando do teu lado, ou comendo as unhas de forma barulhenta e asquerosa.
Não sinto cheiro de bunda horrível. Cheiro ou bunda horrível? Os dois.
Ninguém abre a boca e sai aquele odor nauseante, similar, provavelmente, ao de uma múmia abrindo sua boca depois de milhares de anos.
Ninguém fuma do meu lado. E não abre sua boca/tumba com fedor de cigarro misturado com dentes podres/rins inflamados.
Não ouço barulho de salto alto irritante de pessoas que ADORAM andar com saltos irritantes.
Na biblioteca, os atendentes pedem para as pessoas falarem baixo, me poupam o trabalho de mandar-lhes calar a boca, mentalmente.
Você tem menos chance de ser roubado, entre outras coisas super chatas que podem te acontecer nas ruas.
Não preciso lidar com o mau humor de pessoas que mal/não conheço, ego inflamado, vontade de incomodar, competição desnecessária, há vezes em que pessoas se digladiam por um lugar na fila! E por aí vai a cretinice humana.
O celular não pega em algumas bibliotecas. Em casa não pego o celular.
Em bibliotecas há livros.

Enfim, poderia discorrer mais uns cem tipos de vantagens relativas à condição de estar em uma biblioteca, mas não me encontro a fim, agora.