quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ser

Neste blog costumo fazer minha pesquisa de opinião interna, com minhas análises sobre o conteúdo e o que é mais acessado. E vejo que quando resolvo falar tudo o que penso, é quando acontece mais atividade, mais visualizações, mais tudo.

O que apuro disso é que quanto mais somos o que somos, mais criamos identificação com as pessoas. Mas ser o que se é não é algo muito fácil não. Nada fácil. Vivemos sob um forte condicionamento social, é muito arriscado expressar o que se é, corremos o risco de sermos isolados, atacados, atingidos. Mas o retorno é muito grande, porque simplesmente, o retorno é a liberdade de ser, é a liberdade de sentir que não importa se vão concordar ou não com você, você simplesmente é. Acredito que isso é bem próximo de se amar, amar o que você é, com todas as falhas e imperfeições existentes... 

Estou numa fase de me apaixonar por mim mesma. E tô descobrindo que eu sou maravilhosa, cada pedacinho, cada alto e baixo, cada erro, cada acerto, tudo. Eu sou incrível! E eu fico olhando para as pessoas maravilhada, pensando no quanto algumas são maravilhosas e nem se dão conta... ficam se culpando, acreditando no que as outras lhes dizem, e se eu pudesse dizer com toda a liberdade do universo: "olha aqui, eu tenho uma coisa pra te dizer... tu é maravilhosa, viu? Vê se pára de te culpar, não existe culpa no que tu faz. Só existe tu. E eu te admiro no que me identifico, e coloco num saco o que não me agrada. Por que o que não me agrada é meu, e não teu. E se tu não me curte, tudo bem, ainda assim te curto. Em silêncio. Tudo bem, eu usufruo do teu ser, e tu nem sabe...".

Muitas vezes eu recebi muitas e muitas críticas. E também já fiz. Mas no final me dei conta de que se alguém quer mudar aquilo que sou, essa pessoa tá muito enganada, porque justamente ela me curte naquilo que mais a incomoda... e vice-versa. Me dei conta de que quando critico alguém já tá tudo errado, na real eu gosto muito de todos aqueles pretensos "defeitos" ali expostos... mas é claro que eu não vou contar isso pra pessoa né? Porque senão, ninguém aguenta, nem a própria pessoa... 

E nas minhas orações diárias, peço:
Liberdade!
Liberdade de meus próprios preconceitos,
liberdade de minhas dúvidas,
liberdade de meus medos,
liberdade de tudo que me aprisiona,
quero simplesmente SER.

o Carvalho é símbolo de resistência, pelas intempéries que enfrenta, o que o torna mais firme e forte

terça-feira, 16 de junho de 2015

Sense8

Sense8. A nova séria da Netflix mais 10 que eu já vi nos últimos anos.
O negócio é furioso!
Fala de amor homossexual/heterossexual, fala de conexão mental entre as pessoas, fala de culturas diferentes, vivências diferentes e um único elo: o elo do amor.

É uma ficção, mas bem poderia ser uma realidade. Ou bem é uma realidade, em partes.
Não podemos comprovar que existem conexões mentais entre as pessoas - ainda não foi comprovado científicamente - mas acredito que chegará o dia em que isso será lugar comum na sociedade. No caso da série são somente oito pessoas que têm essa conexão, e quando elas estão em apuros pedem ajuda e usam a habilidade que um (ou vários) dos outros "conectados" possui. Assim, o talento de um pode ajudar o outro em momentos de necessidade. Achei bárbaro isso porque todos se ajudam, como se fossem irmãos, mas sem laços sanguíneos, de parentesco ou sociais, se ajudam porque são unidos pela conexão mental que os liga desde o nascimento.
Isso me remete para a nossa vida real, a nossa ligação mental que ainda não conseguimos comprovar... 
Já tive a sensação de estar conectada com outras pessoas diversas vezes... aquele lance de "tô pensando algo e a pessoa diz", mas sem termos tido qualquer conversa sobre isso antes... e essa ligação mental não aconteceu somente com pessoas íntimas, porque com as íntimas nem se fala...

Penso que somos todos conectados e achei bárbara essa série porque ela fala de amor por todos, sem discriminação de sexo, cor, idade, nível social, ou seja lá o que quer que nos destaque "socialmente" uns dos outros. Gostei dessa série porque ela nos diz que todos temos algum talento, e esse talento serve para alguém que não o tenha, ou seja, se unimos nossos talentos somos unos, somos completos.

Enfim, gostei dessa série porque ela fala de sexo com amor. Amor com sexo. E não é pornografia, é materialização na carne daquilo que nos toca o espírito.

Valeu irmãos Wachowski!


All we need is love!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Pureza

Tem um lance meu com mendigos que eu ainda não consegui destrinchar...

Ontem eu tava na parada de ônibus, com a minha filhota Olívia a tiracolo, naquele negócio chamado sling, em que a criança fica maravilhosamente pendurada enquanto a mãe fica com as mãos livres pra fazer o que quiser.

Então, tava eu ali esperando o bus, quando um mendigo se aproxima, pedindo dinheiro à todos, podre de sujeira, chegava a ter uma luva preta de restos de tudo, na boca tinha um resto de comida, e o cheiro tava demais, exalava todo tipo de fedor... bah, ele tava tri fedorento.

De repente ele pára na minha frente. Cutuca as costinhas da Olívia, que no caso tá de frente pra mim, grudadinha no meu colo, como uma macaquinha. Ele a cutuca com aquele dedão maravilhoso, cheio de cocô seco e comida podre também. Bah, um nojo. Mas não consigo afastar ela. Me parece cruel privar o mendigo de admirar uma criancinha. Ela é tão linda. Todo mundo admira ela. Eu babo olhando ela babando...
Enfim, como ele não é correspondido com a cutucada, segue a investida chamando: "Bebezinha, só quer ficar no colinho né?", e eu respondo: "Esse é o melhor colo do mundo.".

Daí, percebo os olhares das pessoas na parada.

Ele segue chamando a bebezinha, e eu viro a Olívia para ele, para que ela possa olhá-lo de frente, assim como ele. Ele fica falando com ela, com a boca cheia de resto de comida pendurada... depois de alguns segundos ela finalmente ri para ele. Então ele ri, eu rio, pronto: compartilhamos uma alegria.

Ele vai embora assim como chegou: do nada, sem se anunciar ou se despedir. 
Espero que ele tenha sentido algo muito bom naquele momento.
Enquanto todos o repudiavam, a neném sorriu. E a mãe da neném não o tratou mal, deu atenção a ele. Dei atenção ao afeto que ele estava demonstrando por ela.

Diante de tanta podridão no mundo, podridão que há dentro das pessoas, a podridão externa daquele mendigo me pareceu uma carapuça para algo muito limpo. Coberto de miséria e repulsa de todos os lados, principalmente de si mesmo, ele conseguiu parar para se encantar um pouco com uma criança. E isso por si só mostra a pureza que há dentro dele.

Apesar de na hora ter sentido um pouco de nojinho do aspecto todo dele e da possibilidade de ele encostar as mãos sujas na minha neném, ainda assim encontrei dentro de mim um pouco de humanidade ao dividir minha alegria com ele. Ele me deu algo bem maior, acho. Ele me fez ver que todos nós podemos estar naquela situação e ainda assim sermos amáveis. Ele me fez ver que podemos estar limpinhos e com muita coisa ruim dentro de nós. Não são todas as pessoas que retribuem um sorriso, ou que retribuem o sorriso de um neném. Existem pessoas que não querem contato com outras pessoas, e são muito frias quanto a sentir. E, sobretudo: praticam muitos males em nome dessa frieza, com a desculpa de que estão se protegendo da sociedade maldosa e ruim.

Essas pessoas podem ter um cheiro corporal maravilhoso, tomam muitos banhos por dia, tem perfumes maravilhosos armazenados em suas prateleiras, mas o senso de humanidade e afeto pelos demais é fedorento. Fede a medo. Fede a desprezo. Fede a morte em vida.

Obrigada mendigo, por me fazer sentir.


a pureza de se encantar com coisas simples

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A Paz

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
(Gilberto Gil, A Paz)


Não sinto meus pés no chão. Não sinto como se tudo fosse ruim. Sinto como se tudo fosse bom, até mesmo aquilo que não parece.

Se isso é ruim, então no ruim quero ficar, quero continuar, mas sei, dentro de mim, sinto em mim que isso não tem nada, mas nada mesmo de ruim. É tudo bom, é tudo amor, é tudo puro e simples como deve ser.

Tanta luz existe em nosso interior. Somos feitos de luz, a luz divina, somos seres lindos mas insistimos em acreditar que somos feios... e essa crença, essa insistência, faz com que sejamos mal comportados, insistindo como crianças teimosas em comportamentos que só nos causam sofrimento...
Assim, chega de sofrimento!
Chega.
Agora só quero a paz.

Obrigada Papai e Mamãe do Céu por tamanho amor em meu coração.

quero voar

segunda-feira, 9 de março de 2015

Criança precisa de carinho

Crianças não precisam de televisão, quem precisa da televisão são os pais (na verdade nem eles precisam, mas isso é outro assunto...).

Observando minha filha de nove meses diariamente, vejo que ela não tá nem aí pra TV. Coloco desenhos diversos, dos mais frenéticos aos mais paradinhos (os meus preferidos são os do Cartoon), mas ela nem tchu pro desenho...

O que ela gosta mesmo é de mexer nas minhas plantas, ir até a fruteira e enfiar uma batata na boca, brincar com a casca da cebola que faz plec, plec, plec... com barulho similar àqueles brinquedos caríssimos de algumas marcas que exploram a mão de obra escrava da China, Indonésia, Nicarágua, e por aí vai... 

Crianças são simples, e nós também. Mas aí a gente cresce e complica tudo acreditando no que nos dizem, de que eles precisam disso e daquilo e daquilo outro... quando na verdade eles precisam de carinho, e só. E carinho por si só engloba:

- dar comida nutritiva e boa de verdade: banana, maçã, mamão, couve com ovo, feijão, arroz, beterraba, suco de agrião com laranja... hum... se desde nenéns eles saborearem alimentos assim, certamente eles serão mais sadios e decididos. A alimentação interfere diretamente no que nós somos, não adianta fugir disso. Se nos alimentamos mal, temos mal sentimentos entre outras sensações, se nos alimentamos bem, com itens naturais e nutritivos, somos aquilo que comemos. Essa máxima é antiga mas é mais certa do que nunca em tempos que a comida industrializada destrói a percepção das pessoas acerca da sua união com a natureza e todos os outros indivíduos.

- é se preocupar com o desenvolvimento deles deixando-os brincarem à vontade sem julgamentos. Sabe aqueles pais que controlam como os seus filhos brincam? É terrível um pai ou mãe cerceando uma criança numa brincadeira inocente, mas mais terrível é que todos nós podemos incorrer nesse erro por excesso de preocupação com a saúde da criança. Já observei pais que não deixaram seus filhos subirem no trepa-trepa, por medo que eles caíssem... desculpa, mas considero isso tortura com os pequenos... vamos nos colocar mais no lugar das crianças e tentar pensar como se fossemos elas?

- dar limites, sim, para que eles e nós aprendamos que os limites existem por algum motivo, e o motivo é o respeito ao próximo, ao espaço do outro, nós não somos ilhas em nós mesmos e cada um tem seu espaço e sua necessidade;

- deixar bem claro que os pais são pais e não coleguinhas da escola. Uma coisa que me assusta é quando vejo crianças jogando bolas na cabeça de seus pais e estes rindo... e não falo de crianças pequenas, mas crianças de 12 anos... Jesus...

- deixar a criança ao ar livre observando as árvores e a natureza. Isso os conecta com o que realmente somos: integrantes da natureza, não somos superiores ou inferiores, somos parte dela e se desde pequenos fossemos criados para entender isso, o mundo seria bem diferente...

- procurar desenvolver as habilidades e potencialidades da criança de maneira descontraída, sem pressão, só pelo prazer de ser, sem pensar no que pode ser extraído daquilo, mas no quanto a criança se divertiu com aquilo. E nós também, ao vermos nossos pequenos mais tranquilos e serenos nos sentimos mais felizes. É recíproco.

Todos os dias aprendo algo novo na arte de ser mãe. Não é fácil, pois sei que estou influenciando um ser, que minhas atitudes regerão muitos pensamentos e atitudes deste ser, então com essa consciência me puxo muito mais, me observo, me disciplino e sempre tento rever o que estou fazendo de errado e o que estou fazendo certo. É um trabalho de pesquisa, observação, com coleta de dados e mudança de rumos, muitas vezes. Mas é o melhor trabalho do mundo, com certeza!



"Tudo vale à pena se a alma não é pequena." (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Suicídio coletivo

O calor está definitivamente chegando para se instalar no planeta terra.

É terrível ver como somos impotentes sozinhos, nesta era de desgaste da natureza, ocasionado pela má utilização dos recursos naturais que temos no planeta. Nós, humanidade, homens e mulheres, usamos muito mal nossos recursos naturais, nossas maiores riquezas. Nossos irmãos índios sabiam respeitar a natureza, mas o bendito homem branco cagou tudo.

E ainda influenciou o índio para que ele fizesse junto. Hoje muitos índios se comportam como homens brancos, (por sua livre escolha, sim) esquecendo seu passado de respeito à Mãe Terra, à Mãe Natureza e flagelam e se vendem tais como o homem branco-burro-besta.

Nosso planeta está aquecendo, e já é previsto que se continuarmos nesse ritmo, a temperatura aumentará em torno de 2 graus até 2050. Isso parece pouco mas em termos de temperatura média equivale a grandes proporções, grandes mudanças. Muitas espécies, marinhas e terrestres tendem a desaparecer por conta do aumento da quantidade de água nos oceanos ocasionado pelo derretimento das geleiras dos polos. Muitos aquíferos serão salinizados por conta da submersão de muitos territórios e a maior briga no futuro será por água, bem como preconizava o filme Mad Max...

Muitas regiões serão atingidas pela seca e um enorme fluxo migratório ocorrerá por conta deste panorâma seco e desidratado que algumas regiões assumirão.

E todos sabemos o que devemos fazer, pois não? Economizar água, parar já o desmatamento das florestas, emitir menos gases tóxicos, consumir menos produtos que só se transformam em lixo, reciclar o lixo que pode ser reciclado, separar o lixo orgânico para adubo, respeitar a natureza, usar menos o carro, andar mais de bicicleta, etc, etc, etcétera.

Somos a geração que vivencia os últimos arroubos de abundância energética e recursos naturais, e assistimos atônitos às mudanças climáticas devaneando que são somente especulações de malucos fanáticos sobre as mudanças que estão por vir. Malucos são os que duvidam. Não há mais como duvidar, nem um cego pode se negar tanto a enxergar. Somos os responsáveis pela mudança imediata de comportamento para que a situação não se agrave mais ainda, e não estamos fazendo quase nada para isso. QUASE NADA. Estamos gozando do restinho que é possível, falamos muito, especulamos um tanto outro, mas nada do que falarmos ou especularmos irá ajudar, somente ações é que são importantes, é que mudam alguma coisa.

Somos donos deste planeta e nos comportamos como inquilinos: usamos, sujamos, destruímos, e vamos embora. Para onde?? Manés. Somos donos e não somos, Deus nos cedeu um lugar lindo e incrível para desfrutarmos e aprendermos sobre a beleza de viver com amor e não demos nenhum valor, somente nos preocupamos com estas merdas todas chamadas coisas. E essas coisas não nos servem para nada mais do que distrair nossa consciência do que é mais importante: nossa família.

Nossa família é gigantesca, porque todos somos irmãos neste planeta, inclusive os animais e plantas, e estamos destruindo nossa família, estamos destruindo a nós mesmos. Na verdade isso é um suicídio coletivo.

E o pior e melhor de tudo isso é que não basta uma ação isolada para reverter esse processo, se todos não mudarmos esse panorâma de abuso e destruição, nós seremos extintos deste planeta. Deus nos ensina a nos unirmos para vencermos, não há outra saída. Não adianta eu fazer a minha parte se você não faz a sua. Não adianta eu me deitar em quem faz algo enquanto só reclamo, é preciso que todo mundo faça a sua parte, dê o seu melhor. Como o beija-flor na floresta, quando ocorreu o incêndio, o bichinho ia buscar água, com seu biquinho, e de biquinho em biquinho tentava conter o incêndio. Quando questionado por outros animais pela sua loucura, pois ele nunca apagaria o incêndio, ele respondeu: "Não sei se vou conseguir apagar este fogo, mas estou fazendo a minha parte.".

Qual é a sua parte que pode ser feita?



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Reflexão do dia: humildade

O que é humildade afinal?

Parece tão fácil identificar situações humildes, mas será que são situações de humildade?

Humildade é ser pobre? É ser subserviente? É usar sapatos velhos? No Brasil, é andar de ônibus? É falar errado? É dançar funk? Por acaso ser humilde é ter a pele negra?

Falo isso pois hoje me veio esse questionamento sobre humildade. Acho que ainda não sei direito o que é, e talvez escrevendo eu consiga elucidar.

Sempre pensei em humildade como algo feito por pessoas humildes. Ou seja: pobres. Desculpa, se isso é ser preconceituosa, então sou contra mim mesma... nasci em família humilde, e se humildade é ter que trabalhar para sobreviver (quando gostaria de passar meus dias trabalhando por gosto) ainda sou humilde. Não como antes, mas com certeza, sim, sou bem humilde.

A questão é que não acho que se trata de preconceito. Se trata de hipocrisia linguística. Somos ensinados desde pequeninos a nos referirmos às pessoas de pouca condição financeira como "humildes". Creio que se trata daquele tipo de expressão que usamos para substituir uma palavra considerada humilhante e ofensiva, como "pobre". Isso é muito comum no Brasil, se chama eufemismo. É a qualidade de "suavizar" uma expressão. Mas isso pode gerar muita confusão.

Por exemplo: no Brasil, a maior parte da população costuma chamar uma pessoa de pele negra de morena. Até aí tudo bem, grande coisa né? Porque teríamos que nos referir a alguém pela cor de sua pele? Isso não faz nenhum sentido, não é mesmo? Tá, mas então, porque teríamos que não referenciá-la pelo tom de sua pele, ou seja, porque não chamá-la de negra, quando for necessário? Isso é ofensivo? É, por acaso, humilhante? Claro que não. Mas, devido a uma história vergonhosa de escravidão, no Brasil é considerado insultante chamar alguém de negro.

Então, voltando ao assunto da humildade, no Brasil costumamos eufemizar as expressões, e causamos muita confusão em nossas mentes por conta disso. Inclusive, chego a arriscar que grande parte de nossa desordem social é oriunda dessa nossa confusão linguística. Como saber o que significa "de fato" cada expressão, se muitas são expressões tácitas?

Humildade, para mim, tem a ver com respeito às desigualdades. Desigualdades que falo, tem a ver com o diferente que somos uns dos outros. Essa desigualdade. Porque ninguém é igual a ninguém. Somos universos de tudo em cada ser. Universo de células só minhas, de pensamentos somente meus, de impressões, de vivências, de saberes, de lembranças, de sonhos.

Humildade, para mim, tem a ver com amor ao próximo, à sua desigualdade, à sua interioridade. 
Nada tem a ver com ser pobre, limpar o chão, se rebaixar para quem "julgamos" ser superior a nós. Aliás, creio que ninguém é superior a ninguém, faço essa reflexão todos os dias, principalmente quando fico chateada com alguém, com suas atitudes, e com as minhas (que são bem imperfeitas também).

Ninguém é, absolutamente, superior a ninguém.

E Deus está no comando. Falo em Deus, porque assim é que Ele/Ela é comumente conhecido e citado, mas Deus, para mim, é essa força universal que cria e rege todas as leis do universo. Todas.

Humildade, para mim, afinal, tem a ver com sentir. Eu sinto muito pela dor do outro. Sinto muito, mas não cabe a mim aprender no lugar do outro, eu tenho os meus aprendizados, que já são muitos, eu tenho as minhas dores, então, humildade é respeitar as lições que cada um de nós deve passar para evoluir.

Humildade é ter respeito por tudo e por todos. Todos mesmo.
Humildade é, sim, amar ao próximo, como a ti mesmo. E para amar ao próximo, não precisa sair beijando e abraçando todo mundo ou dizendo amém para tudo o que os outros fazem, mas simplesmente respeitá-los no seus níveis de evolução, nas suas decisões. Se o próximo decide te ofender, não faça o mesmo, respeite-o na sua decisão, mas não o imite. E se respeite, não deixe ele fazer isso duas vezes. Ensine-o. Ensinando a gente aprende.
Humildade é perdoar. Perdoar é entender que o outro fez errado e você fez errado por permitir que ele fizesse. O erro é bilateral. Então, perdoar é entender isso, independente se o outro te pediu perdão ou não. E não esqueçamos a lei do karma.
Humildade é pedir perdão, mil vezes.
Humildade é falar o que você sente, não o que você pensa, porque sentimento é bem diferente de pensamento. Pensamento é construído, e toda construção pode ter erros. Sentimento normalmente não é construído, também pode ser com base em pensamentos, mas uma vez sentido não é mais pensamento, é sentimento. Em suma: cuidado com o que você pensa...
"Humildade é ajudar as outras pessoas." (by Sophia)
Humildade é aceitar-se como se é, sem orgulho ou culpa.
Humildade é não se sentir nem melhor, nem pior do que ninguém. É simplesmente ser.

E acreditar em Deus? É humildade? Olha, Deus não precisa da crença de ninguém para existir, Ele/Ela, simplesmente é. Humildade, penso, é assumir que se acredita em Deus abertamente, sem medo da crítica alheia...

Sou humilde, sou humilde, sou humilde de Jesus...

E sigamos no estudo da humildade.

símbolo da pureza no Budismo, a belíssima flor de lótus nasce em águas turvas e lamacentas

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sentindo Vishnu

Sentindo o dia de hoje, está uma baita de uma paz...

Toda vez que o tempo ficou calmo assim, depois vieram muitos desafios, decisões... enfim, uma série de atitudes a tomar e escolhas por fazer, e não dá pra deixar pra depois.
Tenho uma certa mania de deixar pra depois. Já fiz isso um milhão de vezes, de deixar pra depois, e confesso que não deu muito certo. Porque o depois sempre volta.

É até meio contraditório, como o depois voltaria se ele ainda não aconteceu?

Pois é, o depois não aconteceu ainda (ou sim, mas ainda não foi comprovado cientificamente, porque comigo o dejavu acontece com bastante frequência), mas ele volta.

O que significa isso?

Significa que o depois não existe, na verdade. Existe o agora, o agora não é depois, é agora. O que eu deixo de fazer agora não será um depois, ele será o agora de amanhã. Então, se eu deixo algo pra depois, estou acumulando mais coisas pra fazer no agora de amanhã...

Isso de deixar pra depois não é exclusivo meu... na realidade percebo cada vez mais pessoas fazendo isso: deixando pra depois. São tantas informações pra absorver, tantos encontros pra ir, tantos afazeres por fazer, no meu caso, lavar a roupa, limpar a casa, fazer trabalhos da faculdade, dar de mamar, revisar os temas da minha filha maior, lavar a louça, parar e ler aqueles livros que chegaram pelo correio, limpar o chão, levar a neném pra vacinar, arrumar a cama, planejar as férias, estudar aqueles tópicos do curso EAD que eu tanto gosto, pagar as contas, botar água para os passarinhos, fazer os cálculos, dar comida e água pro cachorro, plantar as sementes de mamão que brotaram, costurar a toca de Natal da Sophia, aguar as pimenteiras... 

Então, tentando me organizar para o novo ano, percebo que há uma lista enorme de tarefas por fazer, e não posso acrescentar nada antes de completar as anteriores. O que posso fazer, é trocar umas por outras, porque algumas já não me parecem tão necessárias quanto antes. Na verdade, várias já não fazem mais sentido na minha lista.

E neste período que passo em casa com as minhas gurias, afloro habilidades desconhecidas como cozinhar, ler e escutar áudios de estudo ao mesmo tempo. E a comida ainda fica boa. São habilidades que eu preciso ter e quero ter, e esse é o momento de aprendê-las.

Pois então... uma das maiores habilidades que estou desenvolvendo neste momento é a capacidade de fazer váááárias coisas ao mesmo tempo...e ainda parar pra dizer "eu te amo" pros meus amores...

É uma arte. É incrível, quanto mais coisas eu faço, mais tenho por fazer, elas se multiplicam, se triplicam, e às vezes parece que eu vou surtar, e acho que até surto, mas "depois" dá tudo certo.
Fase completada.

Ah, e ainda esqueci de dizer que tô estudando o Hinduísmo... que Vishnu me inspire com seus vários braços dando conta com maestria de todas as ações, transformando-as em realizações.
É o meu desejo.

Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare!

sentindo Vishnu

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Parem!

Ei robôs, parem de escanear meu blog!!!

Hoje eu tô gritando

Ah, o certo.

Certo. Quero ser certa, estar certa. Sou certa. Sigo o "caminho" certo. Tento andar certo. Dizer coisas certas. Sentir o certo. Não pensar errado. Agir certo. Gritar certo. Amar certo.

Aí vem aquela pessoa cheia de seus problemas. Tô eu aqui, no meu momento de vida com a minha vida, meus problemas, minhas alegrias e tristezas. Eu. Aí vem aquela pessoa. Ela tá mal. Tá desequilibrada, cheia de horror por tudo. Fala mal de tudo e de todos. Sofre. Todos os dias acorda sem saber o que vai fazer direito. Eu sei porque ela me disse. Então ela, a pessoa, chega te pedindo um colinho, não desse jeito "quero um colinho", e sim do jeito como eu entendo ser um pedido de colinho. Do tipo, bah, tô sofrendo e pás. Okay. Eu dou o colinho. Aninho no meu peito. Protejo. Levo pela mão. Mas o meu jeito maternal de ser me diz que colinho também é apontar o que eu acho que tá sendo feito errado. Então faço isso. Aponto. Falo. No início falo suave pra não doer muito. Só que a pessoa não entende o que ela tá fazendo de errado pra sofrer tanto assim. Aí, eu que tô de fora e realmente enxergo melhor digo a ela: "olha, tu tá fazendo isso, isso e mais isso de errado... mas se tu fizer assim e assado tu pode te recuperar...". Então a pessoa diz que se sente melhor do meu lado, que não via esperança, mas agora enxerga uma luz... só que não. Ela continua fazendo as mesmas coisas erradas de sempre. E continua doendo... aí, eu que tenho a paciência de uma hiena diante da carniça, já não falo tão suave. Falo grosso, falo alto. Uso frases fortes, do tipo: "não seja burro!", só que a pessoa me releva, porque ela sabe que eu tô falando para o bem dela. Porque eu gosto muito dela. Várias vezes apoiei ela. Sofri com ela. Passei o Natal no hospital cuidando dela. Perdoei seus desaforos. Mas há um dia em que minha vida se refaz sem ela. Não sinto mais falta como antes. Não tenho vontade de ligar, de saber como está. Se está longe, está bem. Assim eu penso nesse momento.

Só que não.

O orgulho é uma merda. Aí tá, a pessoa não quer mudar, digo a ela aos berros, depois do seu enésimo erro, que dessa vez me afeta porque tô junto dela: "Tu precisa mudar! Tem que parar de fazer tudo errado e achar que vai dar certo! Tem que parar de agir assim! Entendeu?". E a pessoa então, não enxerga com bons olhos meu gritedo e retruca: "Eu não acho que tô errado. Na verdade eu acho que tô certo.".

E eu:

- Ah é? Então pára de vir na minha casa com todos os teus mil problemas me despejar tuas lamúrias se tu é tão inteligente assim! Porque pra mim tu é BURRO!!!!!!!!!!!!!!! Tu não é só burro, tu é muuuito burro! Por que alguém que sabe que faz errado, segue fazendo, sofre, e diz que nunca vai mudar porque não acha que tá errado, só pode ser é muito do burro!

Só que a pessoa não recebeu muito bem essas minhas últimas palavras. Não mesmo.
E agora eu tô com dor de barriga. Mas não me arrependo nem um pouquinho. De nada.
Acho que quando a gente gosta de alguém e se preocupa com essa pessoa, quer o seu melhor, quer que ela seja feliz de verdade, a gente deve falar. A GENTE DEVE GRITAR. Gritar para que a pessoa se lembre. Ela não vai poder dizer, bah, eu não sabia, ninguém nunca me disse. Não. Isso ela não vai poder dizer. Porque alguém falou. Falou suave. Falou firme. E depois, gritou.

Ahhhhhhhhhhhhh!




sexta-feira, 11 de julho de 2014

A tassa do mundo é noça! Com brazileiro, não há quem poça!

Ah, também tem mais umas coisinhas pra escrever. 
Tipo essa história toda da copa do mundo aqui no Brasil. A gente parece um bando de pato cego gritando no meio da lagoa pedindo socorro. É isso que nós brasileiros parecemos. Tem um monte de manifestações por tudo, mas as reclamações meio que se perdem no meio de tantas montanhas de reclamações. Acho que estamos perdendo a noção. Não adianta reclamar da educação no país e ficar dando audiência para a Globo e suas novelas imbecis. Não adianta ficar reclamando da falta de educação dos outros e ser um puta de um mal educado, que nunca cede um espaço aos outros em filas (tem gente que chega a saltar pra passar na tua frente!), que não dá uma informação quando pedem, que não dá bom dia pras pessoas, que não pede com licença, por favor de verdade (não o por favor ou te quebro), sei lá, tô citando umas coisas babacas, mas educação tem a ver com se colocar no lugar do outro e ver que naquele momento ele tá precisando da tua ajuda. Tá, eu sei que às vezes o outro é um cretino que não tem educação e corta tua frente ou só quer levar vantagem e se aproveita da tua boa vontade, mas o legal da boa educação é deixar esse cretino seguir o seu caminho sem afetar o nosso, deixar ele seguir o caminho dele com a cretinice dele, sem que nos tornemos cretino como ele. Não é?

Falando em educação, achei super feio mandarem a Dilma tomar no cú, achei horrível. Isso só mostra o nosso nível de educação, que por sinal não foi trabalho único da Dilma, é um trabalho incrível de desconstrução da educação que vem sendo realizado nesse país há décadas, e aí as pessoas se juntam pra mandar a mulher longe, mas quem que tá indo longe afinal?? Além do que, poxa, quem não sabe que mandar alguém tomar naquele lugar é uma atitude super infantil, que não adianta em nada?
Dependendo, a pessoa é capaz de gostar até...

E no caso da copa perdida, aceitemos isso: ganhar a copa do mundo é bom, mas ganhar a copa do mundo com educação de qualidade para todos, com bibliotecas que incentivam a reflexão, com igualdade social, com benefícios para as pessoas que trabalham por isso, é melhor ainda! 
Parabéns Alemanha!

Oi, para alguém, em algum lugar

Faz tempo que não escrevo. Até pensei em deletar todo esse material aqui. Pois é.

É que de uma hora pra outra me pareceu um tanto idiota de minha parte me expor tanto assim... Tenho uma mania maravilhosa de ficar me analisando todo o tempo, em tudo o que faço, mas assim: tudo! Então, fiquei uns dias pensando em apagar o material, deixar de ser besta, só que daí fiz um contraponto comigo mesma no seguinte: se eu deletar estes textos vou ficar chateada, muito chateada.

Como quando fiz uma cadeira de redação na faculdade e não guardei nenhum texto. Aaargh!!!
E minha professora me fazia altos elogios, disse que eu escrevia crônicas e pá, sempre gostava de ouvir minhas histórias, sim, porque ela dava um tema, tínhamos que escrever e depois ler pra todo mundo... baita micão. Só que não. Assim é o exercício de escrever e melhorar, você tem que se expor.
De que adianta pensar um monte de coisas, gostar de escrever sobre elas e não mostrar pra ninguém? Nem que seja para te mandarem salvar coisas em locais pouco apropriados... Não recebo muitos comentários, infelizmente, mas as visitas até que acontecem com frequência e, como a maior parte é dos EUA, sempre fico me perguntado se é um desses robôs que escaneiam a internet em busca de pedófilos e filhos da puta que só pensam em fazer mal aos outros... Mas o fato é que não recebo comentários externos, digamos, de gente que desconheço. Só recebi um comentário de um desconhecido uma vez. E a criatura escreveu "salve um pau no seu cú". Peraí. De repente não era um desconhecido... vá saber. A questão é que apaguei. Claro. Não vou deixar um cretino ou cretina sujar meu lindo blog com palavras sujas. Se ele gosta tanto disso, que faça ele mesmo!

Pensando bem, agora me surgiu uma luz... essa construção de frase me sugere que seja alguém de meia idade, porque, qual pessoa jovem, como eu, iria falar "Salve um pau no seu cú!"?

???

Só pode ser um velho. Ou velha. Caquéticos. Nem sabem que hoje em dia isso é super normal...

Então é isso.

domingo, 4 de agosto de 2013

Constrangimentos

É constrangedor viver nessa sociedade atual. Me sinto constrangida pela miséria alheia. Que droga tudo isso, essa bosta toda de desigualdade social. Ter que assistir crianças nas ruas, dormindo no frio, atiradas ao relento, e ter que assistir gente "estudada", bem "colocada", se preocupando única e tão somente com seu umbigo. Tipo o Paulo Santana - agora gagá - se preocupando com a ausência de estacionamento no Mercado Público. Ah, vai se catar!! Todo esse tempo em que ele ocupa uma posição de destaque na mídia, desde o tempo em que foi vereador, o que essa criatura super útil fez pela sociedade, a não ser falar do Grêmio?

Acho totalmente inútil torcer por um time, isso é opinião minha, e até respeito quem gosta de olhar futebol, de acompanhar jogos, é uma questão de gosto, como eu gosto de plantar e outras pessoas não. Mas cara, uma pessoa que tem o poder de expressar sua opinião e ser lido/assistido por milhares de pessoas, passar uma vida falando inutilidade? Isso é um desperdício de vida e poder. E ainda haverem pessoas que concordam com ele, isso é algo que não entendo. Não entendo a tamanha falta de raciocínio de algumas pessoas, em não verem o quanto se perde tempo com coisas menos importantes, enquanto as realmente importantes ficam relegadas ao descaso.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Homem primata

Todo dia ocorrem umas dez situações engraçadas comigo e eu nunca lembro de escrever uma neste bendito blog. Vou começar a enumerá-las, quem sabe vem coisa boa.

Isso já aconteceu com metade da população aqui no Brasil, ou em Porto Alegre, até onde sei, de chegar um mendigo em ti e pedir uma grana:

- E aí dona moça, tem um real?
- Não. - grávida de 7 meses, recém saída do trabalho, cansada, suada, com fome, com a pelvis se escancarando cada dia um pouco mais, 6h da tarde, esperando na fila o bendito ônibus que me levaria para a faculdade...
- Puxa moça, tô com fome! Tem uma moeda então? - tá com fome, mas fede a cachaça e parece ter 90 anos. As pessoas velhas não comem menos?
- Não. - Pam! De novo. Acha que só porque sou mulher vou me comover, é? Tira o cavalinho da chuva, vagal.
- Uma passagem então? - naquela época se usava fichinha de ônibus, que valia R$ 1,75. A minha era de estudante, então valia R$ 0,82, mas bem capaz que eu ia dar essa fortuna ao bebum. Humpf.
- Não.
- Ah, ma vai ser pão dura assim no inferno!
- :o - traumatizei.


Fonte: O Bairrista
E falando em mendigos, acho super engraçado observar mendigos. Não, não sou psicopata. Danem-se os que acharem que sou também. Mas o fato é que os mendigos são muito sinceros, provavelmente, consequência do distúrbio mental que os levou para a rua. Eles não tem papas na língua, falam o que querem, mostram os "documentos" na rua, só falta esfregar na cara de quem tá passando.

Poxa, é claro que é triste ver essas pessoas num estado decrépito, mas, tirando toda a miserabilidade do ser humano ali escondido, há um quê de verdade em suas palavras. Há um quê de dignidade num mendigo.

Eles são o que são, não aparentam ser. Não querem aparentar. Eles são vagais, porque nosso sistema social força as pessoas a se sentirem deslocadas. E algumas não suportam a pressão. Não tô desculpando, é uma constatação. Por quê se força? Nosso sistema social força esse deslocamento, essa colocação de cada um em sua posição, para que as pessoas trabalhem mais e mais, e cada vez mais galguem suas "posições" de destaque e sucesso em sociedade. E, o mais importante: paguem direitinho seus impostos.

Algumas pessoas estão no poder e outras são subjugadas. Por isso se força uma colocação, um status para que todo mundo saiba o "seu lugar".

Os mendigos estão no mais baixo nível social, ou à margem da sociedade, como muitos acreditam, e superam todo esse desprezo que a sociedade possui por eles abrindo sua bocarra e expressando o que sentem. Tem que ter coragem para enfrentar a sociedade assim.

Obrigada mendigo, por me dar uma lição: vou seguir não dando dinheiro a mendigos. Aqui ó!

domingo, 26 de maio de 2013

Tchããã, nojento!

Estranhas e interessantes afirmações costumam surgir no mundo rural/acadêmico. 

Dia desses ouvi de um colega que difícil não era a matemática e sim plantar e colher maçãs. Considerando que sua vida pré faculdade havia decorrido em um ambiente de agricultura familiar, nada mais justo do que conceder-lhe a razão ou, no mínimo, minha incerteza, já que não entendo bulhufas de colheitas, ou maçãs, ou matemática.

Achei interessante tal afirmação. Maçãs parecem ter uma ascendência tão fácil, pronta. Nasce a árvore, depois de madura, nascem-lhe as folhas, flores e, de pronto, vem as frutas. Caem do pé, sobre a cabeça de um Newton qualquer, quiçá, e as comemos com moderado prazer: não gosto muito de maçãs. Ajuda o fato de que, atualmente, nossas maçãs são carregadas de agrotóxico e transgênicas de nascença, o que as fez perder todo encanto, considerando que um dia talvez tenham tido...

Maçãs são como seres humanos, rijos em sua juventude, firmes, mas quando principiam a envelhecer se lhes abandona o viço, a fartura. Tal como a maçã, o ser humano murcha. Alguns se tornam fartos de tecido adiposo a medida que avançam em idade, mas sua fartura representa então acúmulo de energia para o inverno, não carne tenra.

Como envelhecer é inevitável, penso que as pessoas deveriam cuidar mais de seu sorriso. Não somente no aspecto estético, que isso demanda grana que nem todo mundo tem, além do quê algumas pessoas arrumam os dentes e continuam com cara de bunda, mas falo do sorriso aquele que dá forma à nossa boca, o sorriso interno que forma ou deforma nossa expressão facial. O sorriso espontâneo, a leveza de ser, o legítimo descuido com "o que vão pensar de mim se eu rir nesse momento".
Sim, porque, experimenta pegar um bus na cidade, dar um rolé pelo centro, passear no shopis, as pessoas tem uma cara tão feia, uma expressão de raiva, de nojo, de irritação constante, de enfado, de peido trancado, que gente sem graça e feia.

Porque não exercitam um pouco o sorriso? Pensem em coisas boas, leiam umas piadas, brinquem mais, sonhem mais, falem mais bobagem, amem mais de verdade, beijem mais, abracem mais, dancem mais, façam mais amor, peidem mais, vejam mais Porta dos Fundos, sei lá, façam coisas divertidas e descomplicadas como assobiar alto, chutar pedra no chão, brincar com cachorro manso e, sobretudo, riam mais de si mesmas. Sejam patéticas! Eu garanto que faz bem. Sei fazer isso como ninguém e isso me deixa muito feliz.

Sorrir é fundamental, fodam-se os chatos de plantão. Sorrir aproxima as pessoas. Sorrir faz o menino tímido conquistar a gatinha. Sorrir faz o mundo parecer mais colorido em dias nublados. Sorrir embeleza pessoas que parecem feias. Sorrir exercita os músculos da face, o rosto fica malhadinho... Sorrir é gentileza para as pessoas, tal como sopa é alimento para os que têm fome. Sorrir abre portas. Sorrir dá leveza à vida dura. Sorrir une.

Eu aposto na ideia de que se as pessoas sorrissem mais e reclamassem menos de suas vidas, nosso mundo seria um lugar bem melhor de viver. No mínimo mais sorridente...


Viva o sorriso!

O sorriso mais lindo do Universo!