Crianças não precisam de televisão, quem precisa da televisão são os pais (na verdade nem eles precisam, mas isso é outro assunto...).
Observando minha filha de nove meses diariamente, vejo que ela não tá nem aí pra TV. Coloco desenhos diversos, dos mais frenéticos aos mais paradinhos (os meus preferidos são os do Cartoon), mas ela nem tchu pro desenho...
O que ela gosta mesmo é de mexer nas minhas plantas, ir até a fruteira e enfiar uma batata na boca, brincar com a casca da cebola que faz plec, plec, plec... com barulho similar àqueles brinquedos caríssimos de algumas marcas que exploram a mão de obra escrava da China, Indonésia, Nicarágua, e por aí vai...
Crianças são simples, e nós também. Mas aí a gente cresce e complica tudo acreditando no que nos dizem, de que eles precisam disso e daquilo e daquilo outro... quando na verdade eles precisam de carinho, e só. E carinho por si só engloba:
- dar comida nutritiva e boa de verdade: banana, maçã, mamão, couve com ovo, feijão, arroz, beterraba, suco de agrião com laranja... hum... se desde nenéns eles saborearem alimentos assim, certamente eles serão mais sadios e decididos. A alimentação interfere diretamente no que nós somos, não adianta fugir disso. Se nos alimentamos mal, temos mal sentimentos entre outras sensações, se nos alimentamos bem, com itens naturais e nutritivos, somos aquilo que comemos. Essa máxima é antiga mas é mais certa do que nunca em tempos que a comida industrializada destrói a percepção das pessoas acerca da sua união com a natureza e todos os outros indivíduos.
- é se preocupar com o desenvolvimento deles deixando-os brincarem à vontade sem julgamentos. Sabe aqueles pais que controlam como os seus filhos brincam? É terrível um pai ou mãe cerceando uma criança numa brincadeira inocente, mas mais terrível é que todos nós podemos incorrer nesse erro por excesso de preocupação com a saúde da criança. Já observei pais que não deixaram seus filhos subirem no trepa-trepa, por medo que eles caíssem... desculpa, mas considero isso tortura com os pequenos... vamos nos colocar mais no lugar das crianças e tentar pensar como se fossemos elas?
- dar limites, sim, para que eles e nós aprendamos que os limites existem por algum motivo, e o motivo é o respeito ao próximo, ao espaço do outro, nós não somos ilhas em nós mesmos e cada um tem seu espaço e sua necessidade;
- deixar bem claro que os pais são pais e não coleguinhas da escola. Uma coisa que me assusta é quando vejo crianças jogando bolas na cabeça de seus pais e estes rindo... e não falo de crianças pequenas, mas crianças de 12 anos... Jesus...
- deixar a criança ao ar livre observando as árvores e a natureza. Isso os conecta com o que realmente somos: integrantes da natureza, não somos superiores ou inferiores, somos parte dela e se desde pequenos fossemos criados para entender isso, o mundo seria bem diferente...
- procurar desenvolver as habilidades e potencialidades da criança de maneira descontraída, sem pressão, só pelo prazer de ser, sem pensar no que pode ser extraído daquilo, mas no quanto a criança se divertiu com aquilo. E nós também, ao vermos nossos pequenos mais tranquilos e serenos nos sentimos mais felizes. É recíproco.
Todos os dias aprendo algo novo na arte de ser mãe. Não é fácil, pois sei que estou influenciando um ser, que minhas atitudes regerão muitos pensamentos e atitudes deste ser, então com essa consciência me puxo muito mais, me observo, me disciplino e sempre tento rever o que estou fazendo de errado e o que estou fazendo certo. É um trabalho de pesquisa, observação, com coleta de dados e mudança de rumos, muitas vezes. Mas é o melhor trabalho do mundo, com certeza!
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| "Tudo vale à pena se a alma não é pequena." (Fernando Pessoa) |



