terça-feira, 30 de abril de 2013

Não falta dinheiro, falta amor


Alguém saberia identificar o que mais falta às pessoas? Em geral?

Uns diriam: falta habitação. Tem muita gente morando na rua, debaixo das marquises, em barracos quase desmoronando. Definitivamente faltam moradias, no mundo todo.

Outros diriam: falta comida, isso sim! Dizem que sobra comida no mundo, mas por que tem tanta gente passando fome? E não é só na África, não.

Há os que dirão que o que falta é dinheiro. Que a origem de todas disputas, da miséria, da criminalidade e das discórdias em sociedade provém da falta de dinheiro. Alguns tem muito e outros, muito pouco.  Esse desequilíbrio financeiro é o que dá origem às outras carências e, portanto, é o que mais falta às pessoas.

Pois eu digo que não. O que mais falta às pessoas é amor. Simples e complicado assim.

O amor que falta às pessoas é o que dá origem a todas as outras misérias. Sem amor não somos nada, não somos nossa casa, nossa comida ou nosso dinheiro. Somos a busca de todo o resto, com a esperança de encontrarmos a plenitude que nos falta, quando não temos amor. E muitos confundem o amor com dinheiro, com posses, com troféus que a sociedade nos apresenta como satisfação garantida para a nossa inquietude, para a nossa carência de amor. Só que não! Sem amor, mesmo que tenhamos tudo de melhor na vida, ainda assim, nos sentiremos vazios. E incompletos. E insatisfeitos com tudo o que de melhor "temos".

E por que é simples e complicado ter amor? Porque amor não é algo comprável em farmácias e drogarias. Não tem para vender no super. Nem em puteiros, ou pela Internet.

Amor dificilmente acontece à primeira vista. Às vezes nem na segunda ou terceira. Amor nasce de várias formas: pode ser de amizade, de inimizade, na tristeza, com vontade, sem vontade, na chuva, em dias de preguiça, pode surgir de um amor desfeito. Amor nasce como uma planta que acha um solo fértil para o seu nascimento. Mas amor exige entrega, perdão, não submissão. Amor tem que ser conquistado, alimentado, suprido, concebido e refeito, em caso de danos. Amor precisa de espaço, de medida certa para os mais diferentes tipos. Amor não fere, mesmo que seja forte ou truculento. Amor é delicado e, se por um descuido faz doer, pode se desculpar sinceramente e tentar refazer o amor.

Amor é união, é alegria, é conforto. Amor não é domínio, nem humilhação, mentira ou abandono.

Amor é puro, não finge e, se for fingido, vê-se no olho, nos gestos, que se trata de uma atuação. 
Uma tentativa de amor. Às vezes alguns amores podem começar assim, com tentativas, simulações de amor, mas se não for bem dosado esse fingimento inicial, essa encenação não vira amor, vira teatro. 
E pluf!

E a maior prova de que minha constatação é verdade, de que falta amor, é a grande, a intensa, a inesgotável ansiedade dos seres humanos por encontrar amor em animais de estimação. 
Claro que nós amamos os animaizinhos! Eles são dóceis, não falam, muitos não reclamam, suportam duras adversidades ao nosso lado, são a projeção do amor verdadeiro, ao alcance de nossas mãos.
Mas insisto, ainda assim, mesmo que você tenha mil cachorros e 3 mil gatos, ainda assim, faltará amor.

Porque precisamos amar nossos semelhantes, precisamos entender e ser entendidos no mesmo nível de raciocínio que o nosso. Alguns animais são mil vezes mais amorosos que algumas pessoas, mas será que essas pessoas não foram ensinadas que amar é coisa de idiota, de burro, de pessoa ingênua e coitadinha? Os animais não tem esse tipo de ensinamento, ou não tem compreensão para entender tal lição, então seu amor é dos mais puros pois não é tolhido, como nós somos desde que nascemos, desde que gritam conosco por motivos bobos quando somos pequenos, e aprendemos que se mostrarmos fraqueza, gritarão mais ainda. Esse é o legítimo ensinamento que deprecia o amor. Ficamos com medo/vergonha de expor o que sentimos e repassamos esse comportamento tolhido e impensado adiante, propagando a diminuição constante do amor. A diminuição constante de sua valorização como bem mais fundamental da nossa vida.

Tenho um pouco de pena das pessoas que dizem não acreditar no amor. Penso que talvez nunca tenham sentido - o que acho difícil - ou não entenderam do que se tratava quando o sentiram. Acho muito impossível não sentir amor, o que não se sabe é identificá-lo, pois associamos o amor à outras idéias, como a ilusão de um relacionamento amoroso perfeito, como nos filmes românticos americanos, ou contos de fadas com príncipes e princesas e seus finais felizes eternos.

O amor é perene em sua inconstância! O importante é viver o que estamos sentindo naquele momento que o sentimos, sem pensar no que virá, ou se aquela sensação terá uma duração de trinta anos ou vinte segundos. Temos essa mania de querer situações eternas e duráveis, mas, na verdade, a duração não importa, o que importa é o que este amor provocou em você. Como nós mudamos em função desse sentimento. O que eu não reconheço mais em mim, de bom ou ruim, depois que passei a amar.

E quando falo de amor, não estou falando só de amor romântico entre homem e mulher, estou falando de amor por filhos, amigos, pais, irmãos de sangue, irmãos de afinidade, colegas de trabalho, parceiros de dança, dias de sol, sono tão profundo que babamos, rir com amigos, ver um filme bom, andar de bicicleta, beijar na boca do seu amado, ler um livro de 300 páginas em dois dias. O amor existe em todo e qualquer lugar, é só nos permitirmos e permitirmos aos outros vivenciar esse amor. É só nos entregarmos a ele, sem vergonha do que estamos sentindo, sem medo de que termine e sabendo o momento de nos ausentarmos, se preciso for.

Tem um poema do Vinícius que, para mim, simboliza o amor em sua essência:

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Desejo a todos no universo, em suas mais variadas formas, que sintam muito, mas muito amor, principalmente por si mesmos.




Amo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não aguento mais ver notícia

Gente, que pão e circo que nada, aqui no Brasil o negócio é feijão e novela!
Gente bonita, gente alegre, gente boa, gente sofrida, gente malandra, somos nós brasileiros!
Tudo é festa, tudo acaba em pizza, tudo é motivo de "orguio", até a miséria se transforma em troféu!

Esses dias estão recheados de notícias assim, de sacanagem brasileira e, cá pra nós, não tô falando de pornografia.

Não aguento mais ver notícia de político safado roubando o dinheiro público.
Não aguento mais ver notícia de intelectual que vai debater a sociedade neocapitalista. Veja bem, o discurso é importante, mas nem só de discurso vive o homem...
Não aguento mais ver notícia de político prometendo melhorar tudo. Só faltou dizer que é na vida dele, né?
Não aguento mais ver notícia de assassinato na TV.
Não aguento mais ver notícia de episódios da novela.
Não aguento mais ver notícia de atrizes/atores "monstros sagrados" no Faustão.
Não aguento mais ver notícia do tempo: sempre chove quando dizem que vai fazer sol.
Não aguento mais ver notícia do Neymar no Bom Dia Brasil.
Não aguento mais ver notícia que o Eike Batista enriqueceu (ele que se ...).
Não aguento mais ver notícia que a inflação subiu, que os juros subiram e que meu salário encolheu.
Não aguento mais ver notícia de bomba que estourou nos Estados Unidos
Não aguento mais ver notícia de gente politicamente correta demais no Facebook.
Não aguento mais ver notícia de animais para adoção enquanto crianças dormem na rua (gente doida é?!).
Não aguento mais ver notícia da Gisele Binchen (é assim que eu falo, logo, é assim que eu escrevo).

Sociedade mais hipócrita essa nossa.

Se tu ri, é palhaço, não leva nada a sério.
Se tu chora, tá dando uma de coitado, vítima, desinfeliz pára de chorar criança sem pai! 
Se tu faz aquela cara de não sei, bem, então és uma besta...
Será que é tão difícil assim entender que cada um é diferente do outro? Nem melhor, nem pior: diferente.
Que difícil viver nesse mundo de aparências, em que todo mundo tenta te compreender pelo brilho do teu dente e tenta aparentar que o seu dente é mais brilhoso.
Já não sei se pinto o cabelo, se lavo os tênis, se troco de meia, ou se passo batom. Vai dar no mesmo! Se ponho um shorts e saio mostrando a bunda pela cidade, é bonito? Sou prostituta ou sou ousada?
Se ponho uma saia comprida e desfilo meu traje arrastão, limpa piso, sou religiosa? Ou to me fazendo de séria? Se uso um terninho feminino sou respeitável?
Quem sabe o que eu faço entre quatro paredes? A céu aberto? Ninguém sabe nada e querem saber, ah se querem. E esse é o grande problema: vão cuidar das suas vidas.

Particularmente adoro pensar que as pessoas são diferentes, pensam diferente e agem diferente. Óh Deus, obrigada pela diversidade! Que mundo mais monótono e chato se todos fossem iguais...
Adoro a diversidade que assisto aqui. Adoro mesmo, mas fica difícil esse esquema de estereotipar tudo, já tá dando um creq na minha cabeça. Apesar de diferentes, parecemos todos vindos do mesmo saco, de batatas... mas com recortes diferentes. 

Eu que adoro me comunicar, às vezes me sinto reprimida com essa coisa de estereótipo, porque se falo com um mendigo, o cara me olha com uma cara... Outro dia um mendigo me pediu uma grana, falei que não, óbvio, aí o bonito apelou para o lado sentimental: "um sorriso então?". Ah, vai te catar! Se tivesse me pedido o sorriso antes do dinheiro, até podia ser.
Noutra, falo com um cara que se acha bonitinho, tá, às vezes até é, mas vamos combinar né? Pronto: tô querendo dar?? Mas será possível? Será que mulher bonita sempre tá afoita? Pensamento machista.
Então, se falo com um cara de cavanhaque, tô querendo uma lingerie emprestada é?

Ó povo não sejamos tão estúpidos! Estereótipos não estão com nada. Temos que sentir as pessoas (no melhor sentido), e temos que nos comunicar. É saudável falarmos uns com os outros tirando a viseira de burro que nos impede de enxergar além da aparência. Além do mais, ninguém vive só. Só sobrevive.

Ai Miro, era tão mais fácil naquela época, eu era só uma criança inocente e feliz:

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

E acrescento:

Minha vida era um casulo
Eu, minha mãe e meu tio burro
Se alguém se escondia atrás do muro
Com certeza é porque tava dando furo...

Não nasci pra poesia.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Óbvio

Obviedade. Procurei no dicionário: qualidade do que é óbvio. Dã. É mesmo é?? Fui no óbvio: que salta à vista, claro, evidente, manifesto, patente, visível... e por aí vai. 

Se algo é óbvio porque eu faria esforço por entendê-lo então? Por que obviedade está intrinsecamente relacionada com a interpretação de cada pessoa sobre determinado assunto.

Passo meus dias lendo textos variados sobre assuntos variados e nada, absolutamente nada me parece óbvio. Fico pensando se meu pensamento é tão limitado a ponto de não compreender nada de primeira, mas recursivamente penso que construções cognitivas limitadas também são cognições, afinal.

Tó, lembrei! Óbvio me remete à novela. É óbvio que aquela piranha vai engravidar do cara que a mocinha gosta! Taí. Descobri o conceito cabal de obviedade: as estórias novelísticas.

Tem umas coisas que também não entendo como falta de assunto. Tem pessoas que simplesmente não sabem continuar uma conversa. Tu começa a conversar com a pessoa, introduz a conversação, faz uma pergunta aqui, uma afirmação ali, mas a pessoa não contribui, dá aquelas respostas incrivelmente monossilábicas, estilo douzo yoroshiku. E como eu não consigo parar de falar, pois tenho muito assunto, não entendo esse jeito de ser. Talvez meu assunto não seja tão atrativo a ponto de persuadir a pessoa a conversar, mas há pessoas que tem o dom de desmotivar os outros...

Na minha cabeça é óbvio que um assunto pode ser discorrido ou enveredar em outro, o que não é óbvia é a falta de continuidade.

sábado, 15 de dezembro de 2012

De pai para filho

Faz tempo que eu não me emocionava tanto. 
Assisti ao filme Gonzaga: de pai para filho e chorei, chorei, chorei. Parei de chorar, saí do cinema, fui para o carro e chorei, chorei, chorei. Cheguei em casa, entrei pela porta (que pela janela é difícil) sentei no sofá e chorei, chorei e chorei um pouquinho mais.

Que história bem contada, que atores bons, que direção, que ângulos de imagem, que diálogos, que emoção esse filme transmite. A história é real, e devo dizer que sempre que uma história é real, ou é anunciada como tal, crio uma expectativa superior em relação à obra. E nesse caso, minha expectativa foi totalmente preenchida e acrescentada, pois eu conhecia muito pouco da história do Gonzagão e Gonzaguinha, e sempre me perguntei o porquê de sua aura de tristeza profunda, mesmo quando ele cantava um sambinha dos mais felizes. Não tinha idéia do que ele havia passado em sua vida particular.

Realmente não acompanhei a vida do artista Gonzagão, muito menos do pai que ele foi (só um filho para atestar), mas adorei ver o crescimento e desenrolar de seu talento, como foi contado neste filme. Suas dificuldades financeiras que o atrasavam para o alcance do sucesso mas que também lhe motivaram a buscá-lo, assim como entraves morais da sociedade da época, como quando os donos da rádio em que ele começou a cantar não queriam ouvir sua cantoria mesmo que o público se empolgasse diante de sua música, já que se tratava de uma música folclórica, pouco admirada pelos críticos do momento. Inclusive seus bloqueios internos que o impediam de admirar a música de seu povo, música esta que lhe fez aprender a tocar o acordeão desde a infância, que lhe despertou para esse dom, mas que também lhe fez renegá-la, diante da miserabilidade que lhe trazia à tona a infância humilde, a falta de tudo, desde o que alimenta ao corpo até o que alimenta ao ego, mas nem por isso menos talentosa, vibrante ou alegre.

Os estados de  miséria e riqueza, apesar de antagônicos, produzem o mesmo efeito de entorpecer as pessoas, embotar sua visão de mundo, suas percepções das pessoas que as cercam e das necessidades reais de cada um. Um, pela ausência que provoca necessidade e te faz querer as coisas de forma imediata, sem notar outras maiores, mais estáveis e duradouras, mas que te faz compartilhar o pouco que tens com teu semelhante, como forma de aplacar a tua própria miséria. Outro, pela fartura que te impede de notar as necessidades alheias, as pequenas misérias das pessoas que te rondam e te espreitam, tornando-te insensível aos problemas dos outros e muitas vezes egoísta, ao menor sinal de perderes essa riqueza, de perderes tua segurança.

Assim como tudo na vida, podemos escolher olhar outras facetas da riqueza ou da miséria, como a alegria despertada por pequenas conquistas, e que provavelmente são muito mais passíveis de surgirem num ambiente de pobreza; os detalhes de escassez (que só a pobreza te faz ver) e que te tornam mais metódico ao esconder falhas, tapar furos, ou desenvolver a malandragem de ocultar erros e ressaltar proezas.
Na riqueza existe a possibilidade de se acessar mais informações, por haverem mais recursos de acesso como livros, teatro, cinema, viagens, lazer e outras formas de entretenimento que custam dinheiros preciosos, o que é inviável para quem não tem nem para o básico. Mas de nada valem os recursos sem o tutano que te faça meditar sobre as informações, por isso vemos tanta gente com grana e tão ignorante.

Enfim, este filme é uma pérola cinematográfica e não me considero capaz de descrevê-lo tal como ele foi feito: brilhantemente. Até porque a impressão de cada pessoa é diferente e subjetiva e acompanha o juízo de cada ser, mas minha impressão neste filme é de que devemos sempre tentar dialogar com nossos familiares, ou com àqueles de quem guardamos mágoas, e se não expressarmos tudo aquilo que nos incomoda a essas pessoas que nos fazem nos sentirmos tão mal, seremos ultrapassados pela torrente de atitudes que essas pessoas invariavelmente cometem e nos deixam tão magoados. Não calar-se, não quietar-se, eis o segredo. Enfrentar, esbravejar e mandar à merda se preciso for, mas não ficar quieto, jamais. Dizer o que te incomoda, nem que isso seja produto da tua cabeça. A pessoa que me convença de que tudo que ela fez é produto meu, e não das suas atitudes.

Também preciso dizer que me emociona o fato de alguém demonstrar sentir amor tão grande por um pai que parecia não amá-lo, como o Gonzaguinha por seu pai.
Amar alguém que nos ama é fácil, tranquilo e no mínimo esperado. Agora: amar alguém que não se importa contigo, se estás bem ou mal, que parece mais querer te ver pelas costas, sendo teu próprio pai, ou quem sabe tua mãe... isso é complicado.

Que filme! Recomendo aos que gostam de uma bela história de amor.

all you need is love

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sonhos molhados

Sonhos são bizarros. E são reais.

Você sonha, acorda, lembra da situação e pensa: " mas foi tão real... ufa... foi só um sonho.". Então, no decorrer do dia você tenta relembrá-lo e lá se foi ele, pras cucuias. O que restou foram leves lembranças.

Os sonhos parecem ser projeções de nossa mente, medos e inseguranças reais que exercitamos em nossas mentes diariamente e que, ao dormir, vivemos intensamente em formato de ópera. Mas tem uns sonhos que são mucho loucos, eu nem chegaria a pensar tais coisas na verdade. Eu nem pensaria que pensei nisso, oras! Aí, descubro feliz que minha mente é criativa pacas, mas pena que ela só se manifesta quando eu tô dormindo... provavelmente por isso muitos cientistas usam o método de entrar em estado de sonolência para terem ideias...

Esse negócio da mente vai muito além do que se cogita. A mente te manda fazer coisas que nem tu mesmo te dá conta, como se defender quando se é atacado ou atacar quando nem mesmo se é agredido. Não existem regras, existem mentes que aprenderam a reagir cada uma à sua forma, à luz de sua vivência. Cada um tem a mente que desenvolveu, isso é óbvio, mas não dá pra arriscar qual vai ser a atitude dessa ou daquela pessoa, nem a nossa mesma... Na realidade vivemos tenteando os outros. Eu tenteio aqui, o outro tenteia lá. Dependendo do meu objetivo ou o da pessoa, não tenteamos nada, esperando a contra-resposta e todo mundo fica paradão que nem bobo, vendo um terceiro tentear e se dar bem.

Às vezes estamos tão absortos em nossos argumentos que não vemos o óbvio. Ele dança no nosso nariz, nos chama de otários e então já não é mais o mesmo quando resolvemos acordar do estupor em que nos encontramos. O óbvio então é outro óbvio. Ele se transformou, e foi modificado pelas nossas atitudes e as atitudes dos que receberam as nossas. Nossas projeções, acredito eu, baseiam-se nesse jogo de tentear aqui e ali, pensar como tudo ficaria se tomássemos essa atitude ou aquela outra, como no jogo de xadrez em que várias jogadas são possíveis e tem suas consequências boas ou ruins. Mas isso é questão de prever movimentos, e existem regras para o movimento de cada personagem no xadrez. Com pessoas, podemos até pensar que existem regras morais, éticas ou sociais, mas cada pessoa age como melhor lhe manda a mente. Como melhor lhe parece a ética, sua ética. Podemos tentear movimentos, mas prever com inteira certeza, jamais.

Na verdade quando espero um movimento, estou projetando ele na minha mente: ó, eu vou fazer isso e aquela pessoa vai fazer aquilo, com base em todas impressões que guardei daquela pessoa. Então eu reajo antes que a pessoa aja, e aí dá a merda. Parece assim: se eu espero que a pessoa faça o bem e ela caga (usando de termos chulos, método mnemônico criado por Mônica) eu só vou esperar/projetar que ela cague para sempre. Mas aí me lembro do Pai Nosso, de perdoar os outros, blá, blá, blá, e tento várias vezes dar a chance de ela não cagar novamente mas ela segue cagando, então eu decido que não vou mais dar a chance de ela cagar comigo. Ponto.
Sabendo de antemão com quem eu lido, após cagadas sucessivas, simplesmente elimino esse indivíduo do meu rol de pessoas. Sim, porque só Cristo pra oferecer todas faces... e não sei se adiantou não, arrisco que se ele voltasse hoje, faria diferente. Paz e amor, sim, ser babaca para todo o sempre de alguém que se nega a aprender, não!

Como eu já espero o "mal" daquela pessoa, por que ela é famosa por cagar, eu já nem me esforço em dar chances. Isso é engraçado, né? Por que, será que essa pessoa age como o esperado, ou será que eu espero tanto que ela cague que eu projeto isso em minha mente e minhas atitudes ensejam essa pessoa a cagar? Será que na verdade ela está cagando porque eu espero isso dela e na verdade essa cagada não é tão molhada assim? Talvez uma análise laboratorial resolva. É cocô ou não é?
Talvez seja tudo um mal entendido, cagadas por cagadas, cada um tem a sua. Guaibão que o diga.
Tudo é questão de ponto de vista... ou seria de privada?

Acho que tô ficando recursiva. E o sonho não acabou...

tentando enxergar o óbvio